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domingo, 25 de janeiro de 2015

Na Estante: Cidades de Papel


E aí, gente? Em primeiro lugar, estou gostando muito de ler os livros do John Green, como vocês devem ter percebido. Tem a turminha que insiste em dizer que são livros extremamente clichês e adolescentes, mas eu discordo. Acho que são livros super interessantes. Sério, todos eles me emocionam muito.
Acho que o que me surpreende mesmo nos livros do Green são as personagens. Em Cidades de Papel a Margo é uma garota popular, mas que, no fundo, se sente completamente vazia. Ela e Quentin eram melhores amigos antes de ela se envolver com as pessoas mais populares da escola - embora ele nunca tenha deixado de nutrir uma paixão platônica por ela. Um dia Margo parece na janela dele e os dois rodam a cidade inteira. Motivo? Se vingar dos amigos de Margo. Depois dessa noite, a garota é dada como desaparecida. Então Quentin resolve procurar por ela, tentando se lembrar de coisas que ela disse e buscando por coisas que ela deixou. Fala sério, a história é muito boa!
Mesmo que a Margo se ausente de uma graaande parte do livro, as pistas que Quentin encontra são capazes de revelar o quanto ela é apaixonante e nada parecida com seus "amigos" da escola. Quentin também passa de um cara invisível a um garoto corajoso e persistente. 
Eu considero esse livro melancólico e encorajador ao mesmo tempo. Já estou super ansiosa pelo filme, é claro! Que venham mais livros, John Green. 


"Isso sempre me pareceu tão ridículo, que as pessoas pudessem querer ficar com alguém só por causa de beleza. É como escolher o cereal de manhã pela cor, e não pelo sabor."

"- Meu coração está acelerado - falei.
- É assim que a gente sabe que está se divertindo - disse Margo."

"Fazer as coisas nunca é tão bom quanto imaginá-las." 

"Todas aquelas pistas assustadoras pra diabo. Toda aquela insinuação de tragédia. Mas nenhum lugar. Nada a que se agarrar. Era como tentar escalar uma montanha de cascalho."

"Não vou perder o fio da meada. Vou encontrar você."

"Odiava o fato de estar sozinho."

"Existe algo de tragicamente heroico em lutar uma batalha na qual se está fadado a perder."

"Talvez ela merecesse ser esquecida. Porém, de qualquer modo, eu não podia esquecê-la." 

"Conversar com um bêbado era o mesmo que conversar com uma criança de três anos extremamente feliz e com dano cerebral."

"É uma pena que você seja tão babaca! É como se, em vez de sangue, seu coração bombeasse babaquice líquida!"

"Você espera que as pessoas não sejam elas mesmas."

"O erro fundamental que sempre cometi - e ao qual, sejamos justos, ela sempre me conduziu - era este: Margo não era um milagre. Não era uma aventura. Nem uma coisa sofisticada e preciosa. Ela era uma garota."

"Por um longo tempo, foi como se meu peito estivesse se abrindo, mas era não exatamente desagradável."

"Algo de muito errado estava acontecendo dentro de mim."

"É muito difícil ir embora - até você ir embora de fato. E então ir embora se torna simplesmente a coisa mais fácil do mundo."

"Quanto mais você espera, melhor é a sensação."

"Não sei com o que eu me pareço, mas sei como me sinto: Jovem. Estúpido. Infinito."

"São tantas pessoas. É tão fácil se esquecer de como o mundo é cheio de pessoas, lotado, e cada uma delas é imaginável e sistematicamente mal interpretada."

"Só tenha em mente que às vezes o jeito como a gente pensa em alguém não é exatamente o jeito como essa pessoa é."

"Quero prolongar o abraço. Quero fazer disso um acontecimento. Quero sentir os soluços sofridos dela em meu peito, sentir as lágrimas escorrendo das bochechas sujas em minha camiseta. Mas ela apenas me abraça brevemente."

"Mas não dá para separar uma coisa da outra, não é? As pessoas são o lugar, e o lugar é as pessoas."

"E acabou sendo tudo tão estranho, divertido e mágico que, assim que voltei para o meu quarto, senti saudade de você. Eu queria voltar e ficar mais um pouco com você."

"Uma cidade de papel para uma menina de papel."

"As pessoas adoram a ideia de uma menina de papel."

"Chega uma hora que você naufraga."

"Nada acontece como a gente acha que vai acontecer."

"Talvez seja mais como o que você falou antes, rachaduras em todos nós. Como se cada um tivesse começado como um navio inteiramente à prova d'água. Mas as coisas vão acontecendo... as pessoas se vão, ou deixam de nos amar, ou não nos entendem, ou nós não as entendemos... e nós perdemos, erramos, magoamos uns aos outros. E o navio começa a rachar em determinados lugares. E então, quando o navio racha, o final é inevitável."

sábado, 24 de janeiro de 2015

Na Estante: Não se apega, não


Olá para quem só tem mais uma semana de férias! Dei uma sumida e até desisti de algumas resenhas, mas os melhores, no fim das contas, vão parar aqui no blog mesmo. Como é o caso desse aqui, que é um dos melhores livros que já li.
Essa tal de Isabela Freitas devia ser a melhor amiga de qualquer garota, porque o livro é simplesmente a reunião de todos os melhores conselhos do Mundo e de experiências amorosas que não deram assim tão certo. O livro começa com as 20 regras do desapego. Ok, aí você pensa: "Beleza, essa garota tá dizendo que a gente nunca deve gostar de ninguém?". Você sente que o livro vai ser meio frio, só que aí vem o primeiro capítulo, você não consegue mais parar de ler e é surpreendida com a frase inicial do segundo: "Desapego não é desamor". Bingo! Eu engoli esse livro em um dia e tive que me segurar pra não grifar o livro inteiro.
Ela dá um jeito de narrar a vida dela, enquanto dá conselhos baseados em experiências. Isso é legal, porque ao longo do livro ela aprende - e ensina - a ter mais amor próprio sem perder a esperança no amor.
Acho que o maior empecilho quando se fala em Não se apega, não é o ar de livro autoajuda, mas ele é super divertido e fácil de ler. Dá pra aprender muito com ele e, ao mesmo tempo, ter uma leitura agradável e tranquila. Então eu recomendo, sim. Na verdade acho que todas as garotas deveriam ler. Não que ele nos torne menos confusas, mas talvez mais confiantes. 


"Loucos são os que mantêm relacionamentos ruins por medo da solidão."

"Não é porque sorriem, se beijam e andam de mãos dadas que são felizes. Aliás, eu sou da seguinte opinião: afeto não precisa ser demonstrado em excesso. Todas as pessoas que querem mostrar demais que estão inabalavelmente felizes, aos meus olhos, são as mais miseráveis."

"O que é engraçado é que você não está chorando porque ele se foi. Chora porque sua inocência e sua pureza foram tiradas à força. Aquela menina que acreditava em contos de fadas e sonhava com um amor para sempre desaparece."

"Cair menina, se reerguer mulher."

"A hora preferida do amor é não ter hora alguma."

"Eu sempre fui uma garota-contos-de-fada."

"Sabe o que nos deixa de mãos atadas? Expectativas." 

"Eu sempre me apaixono pela primeira vez."

"O amor é, sim, a causa e a solução de todos os problemas."

"Tudo o que você espera que o outro faça por você quando está em um relacionamento é exatamente o que você não faz por si mesmo."

"Só é feliz a dois quem já é feliz sozinho."

"Uma coisa que me incomoda em mim é a tal da indecisão."

"Eu gosto de dormir para fugir dos problemas, sabe?"

"Eu preciso não precisar de nada."

"Aquele que se ama se basta. Estar ao lado de alguém é apenas o simples fato de possuir uma boa companhia para desfrutar os seus dias."

"Sonho demais, penso demais, escrevo demais."

"Eu devo ter uma tatuagem na minha testa que diz: Otária." 

"Na real, eu estava farta de me decepcionar com minhas amizades. Agora, com aspas: "amizades"."

"Eu não precisava de quem não precisava de mim."

"Por que os homens tinham essa mania de achar que eram importantes e únicos na vida de todas as garotas com as quais já tinham tido um caso? Queria ter essa autoestima, viu?"

"Por que não se esforçar para conquistar todos os dias a pessoa de quem você gosta e não só quando ela se vai?"

"Acho que nasci com uma doença que se chama preciso-fazer-todo-mundo-feliz-mas-em-troca-disso-serei-infeliz."

"Poucas coisas na minha vida eu fiz porque realmente quis."

"Príncipes? Isso existe? E, a propósito, eu lá quero depender de homem para ter a minha salvação?"

"Eu sou apaixonada por pessoas. Por sentimentos. Por emoções. Sou apaixonada por tudo aquilo que faça o meu coração vibrar. E nisso se inclui o sofrimento. Sofrer é poesia. Inspira. Quem sofre pode se renovar."

"Eu sou mesmo péssima em tudo que faço. E, ah, que se dane!"

"Você não precisa carregar um erro por toda a sua vida, carregue a lição que aprendeu."

"Aquele que se recusa a mudar se recusa a ser feliz."

sábado, 10 de janeiro de 2015

Plenitudes


Eu me lembro de quando eu tinha uns nove anos de idade. Eu não estava muito animada naquele dia, mas assisti aos fogos de réveillon abraçada com a minha mãe e tê-la ali, ao meu lado, enquanto aquele céu colorido e estrelado me preenchia por dentro, me deixou radiante. Sabe aquela felicidade plena? Existem momentos assim na vida, em que você se sente abraçado pela vida e, por um segundo, é como se eu pudesse esquecer as tragédias no noticiário de cada dia e de tudo que não me deixa dormir.
Foi nisso que pensei quando cheguei e tirei os sapatos. Fui e voltei com um sorriso que mal cabia na cara. Aquele sorriso que não pede permissão. A gente sorri pra moça do caixa, deita na cama com os cabelos esparramados e toma banho cantando. Deixa de lado o pijama pesado e veste aquele do qual nunca tiramos a etiqueta, escolhe a melhor música, prepara o melhor prato e acha maravilhoso o silêncio da noite banhado pela luz da Lua.
Pela primeira vez, amei de verdade. Uns vinte e cinco, fã de Elis, jaqueta de couro e sorriso de lado. Eu jamais tive certeza, mas ele sempre me fazia ficar mais um pouco. Eu que sempre consegui tudo o que eu queria! Mas eram os olhos dele, entende? O castanho claro de quando o sol os iluminava, me fazendo mergulhar naquele temporal. Olhos de criança pidona e mimada. Sempre odiei pirraça, mas eu cedia tudo às suas.
Sobre você, eu falava quase sempre. Quase sempre mal. Seus defeitos eram repugnantes, cansativos. Quase sempre estava de saída. As pessoas riam, mais uma vez, cochichavam. Eu poderia conhecer quinhentos caras e eu chamaria cada um deles de “amor da minha vida”, decorando o nome deles em folhas de caderno e agindo como uma idiota, me arrependendo das juras de amor e fugindo na semana seguinte. Você, não. Eu te odiava todo santo dia. Dormia e acordava pensando que nós dois não duraríamos nada.
Eu tinha quase vinte e três. Fã de guitarra, café e livro. Sabe aquele amor pleno? Existem momentos assim na vida, em que você não se sente escravo do seu próprio ciúme e possessão. A sensação é sua. Você sorri pro espelho e pula no sofá. Liga a TV, mas se perde em pensamentos. Agradece, só agradece. Admira o jeitinho do outro de ser encantado e cheio de defeitos. Sabe que a próxima briga vem no próximo domingo, mas não larga. Esse amor se confunde com a felicidade mais pura.
Sei que com você vou bem. Porque meus atos e palavras não são por você, mas por mim. Porque eu não morro, mas vivo por esse amor. Perco a hora, desfaço o penteado, rio sozinha, deixo a chuva molhar, me escondo só pra você encontrar.
Hoje eu só quero aparecer aí outra vez, invadir teu espaço sideral e tentar ver você nos quadros pendurados. Fazer um café, um coque, rir dos nossos amigos e contar uns casos. Amar a pontinha do seu nariz e a sua constelação de pintas no rosto. Pensar no meu sorriso ao ver você e em como será que você me enxerga. Eu prometo colocar o melhor bolero da cidade e terminar o dia achando você péssimo, só por causa de quem diz que as coisas boas sempre acabam. Não ouse pensar nisso, por favor, não durante este refrão, e me guie.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Antônimos


Quando penso em você, penso logo nessa distância. Além do mais, pior que a distância física é a distância... Sentimental. Sim, acho que confundi um pouco as coisas.
Não venha me dizer que mulheres são assim: exageradas. Essa discussão fica pra outra ocasião. O fato é que, se eu estava mesmo imaginando coisas, você me deu todos os incentivos possíveis. Toda aquela alegria de manhã, me abraçando calorosamente (mesmo desejando, com todas as forças, não estar na escola); nossas conversas de longas horas e todas aquelas risadas... Como será possível ter me dado um espaço tão grande a ponto de eu conseguir entrar, me sentar e espalhar todos os meus sonhos pela sala?
É, cara, nem me pergunte. Cheguei a imaginar um futuro ao seu lado. Um futuro em que você deixaria de ser um babaca e talvez eu fosse aquela que te trouxe a paz. Interpretei mal toda essa confiança.
Hoje eu vou estar lá, como sempre estive. Vou receber seu abraço mais amigo, seu olhar mais confidente e ouvir suas histórias mais estridentes. Quando você me der as costas, vou pensar em tudo que poderia ter sido. Talvez se eu tivesse sido um pouco menos menina para perceber a sua covardia fantasiada de bebedeira. Vou quebrar a cabeça, dia após dia, tentando dizer para mim mesma que eu e você nunca fomos nós, mas sim duas palavras solitárias e antônimas. 

sábado, 27 de dezembro de 2014

Hoje você veio


Você nunca me deixou sem palavras. Exceto pelos momentos em que seus elogios enrubesciam minhas bochechas, a gente sempre falou muito. É, a gente conta caso. Finge que tudo bem essa distância. Finge que é suficiente. Você me conta das suas meninas e eu te conto dos meus malas. A gente ri até rolar no chão. Não importa se hoje você aparece aqui pra ser meu melhor amigo ou não. Maldita mania que a gente sempre teve de enterrar nossos sentimentos e levar na esportiva.
O fato é que a gente cresce. Tive que quebrar a cara, conhecer pessoas. Recebi flores, ganhei um apelido novo, mas também já bati porta e levei desaforo pra casa. E você então? Já não é mais aquele menino. Ainda ri a toa e usa o mesmo xadrez, mas o tempo passou e eu te olho nos olhos e eles são de um verde enrubescido. Você entra na minha casa e olha todos aqueles discos. Coisas que a gente não vê quando só acompanha o outro no caminho até a escola. E hoje você vem e leva alguns livros para casa. A gente fala besteira até às quatro e ninguém liga dizendo pra você esperar na porta, pois seu carro está na minha garagem.
A gente sempre soube. Seu ciúme e a minha sensação de sempre estar te perdendo. Onde quer que fossemos sempre parecíamos namorados. Como fomos tolos por mentir para nós mesmos! De todos os caras que eu amei você foi o único que ficou – e, por Deus, como eu detesto pessoas que vão embora. Eu vi suas fases, seus ídolos, seu comportamento. Já te achei um tolo e até otário. Já te vi de cabeça baixa, de cara fechada. Já decorei seus pontos fracos. E nunca, jamais, senti que você pertencia a qualquer outra pessoa que não fosse eu. Todas essas garotas... Meu Deus, como elas faziam errado! Apesar de parecer um louco dançando eletrônica, seu negócio mesmo é gastar madrugadas com séries.
Hoje você veio. Seu hálito me deu frio na barriga. Eu tagarelava sem parar e seus olhos me percorriam de cima a baixo, te deixando perdido em órbitas distantes. E a gente se olhou por longos segundos. Memorizei o choque dos dedos percorrendo meus cabelos e a maneira que eu me sentia: leve. Percorria longas estradas dentro de mim em busca de algo com o qual me preocupar, mas eu não conseguia me mover. Sabia que você iria embora e que aquela conversa silenciosa era cheia de dor.
Completamente sem palavras. Você que sempre soube o que fazer foi embora calado. Nós dois, sempre tão em ordem, nunca fomos tão bagunçados. Meus dedos percorrem o teclado e nenhuma palavra diminui essa distância. Como gargalhar dessa vez se os erros foram nossos? E contar nossos casos? E eu te peço que fique pelo menos até o ônibus das três. Até que você volte e tropece em novos discos e devolva aqueles antigos livros que hoje já nem têm mais graça. Vou rir do seu novo corte e da nova remessa de casos que não deram certo. E você vai me achar menos menina e mais mulher depois de alguns meses.
Eu também sinto medo quando paro pra pensar. Já tentei imaginar como seria acordar ao seu lado ao invés de preparar sua cama na sala. Te dar as mãos, ir ao cinema. Nem meus sonhos mais detalhistas conseguem ilustrar o seu beijo. Queria que você ficasse e me provasse que a espera valeu a pena. Que se dispusesse a olhar feio pra qualquer um que me olhasse demais, a me encontrar dormindo em cima do trabalho da faculdade e também a errar e discutir comigo.
Pensar nisso me faz incrivelmente sozinha. Quando o problema é com você, com quem eu falo? Você que sempre fez com que tudo parecesse tão simples... Me livra desse péssimo hábito de não te ter. Faz de conta que ainda é aquele garotinho cheio de sonhos que dizia: “Eu sou apaixonado por você”.