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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Resposta


- Como você tá?
- Tô bem – eu disse. Obrigada por perguntar. Já faz quase um ano que a gente nem se fala. Meses fingindo que esquecemos, que superamos e, pior, que a gente não se conhece. Quero dizer, estar com você foi uma das experiências mais legais da minha vida. O tipo de relacionamento com o qual eu sonhei desde pequena. É claro que você não estava nos meus planos e, admito, eu imaginava um príncipe encantado no seu lugar. Mas foi você.
Foi você que pegou a minha mão e saiu me puxando por aí, por entre as ruas da cidade. Você me fez acreditar que era certo, mas admito que eu deixei por um motivo: Eu te amava. Tanto faz, aconteceu. Você me abraçou forte num domingo e disse o famoso “para sempre” umas trezentas vezes. A gente se olhou e sorriu ao mesmo tempo, e quando o mundo inteiro queria que a gente se distanciasse, lá estávamos nós, perdidos nos braços um do outro sem noção da hora. Eu deixei o celular tocar, porque o seu sorriso vicia mais que internet.
Hoje eu vejo essas fotos, esses sorrisos enormes e a sua teimosia estampada naquele pedaço de papel. Nossas cartas, algumas enviadas e, outras, só rascunhos. Mas tô legal. Penso muito na gente e tal.  - E você?

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A mulher que você quis


Eu não quero acreditar que sou essa mulher que você colocou na minha cabeça. Não importa o que ela seja, se está certa ou errada, mas não pertenço a ela. É certo que me apaixonei por você e a maneira como as coisas funcionam no seu mundo me parecem repugnantes, mas aprendi a aceitar. Seu mundinho frouxo conseguiu abalar a estrutura do meu império, só porque às vezes eu posso ser um tanto quanto insensata demais.
Eu não quero aceitar que seus erros são certos aos meus olhos, porque hoje, que me vejo livre da droga do seu amor, eles machucam. Você poderia ter feito mais, ter insistido mais, ter trabalhado mais nisso. Porém, pra você, a jura do amor basta. Como quem acredita em destino e fica sentado esperando que Deus resolva o problema milagrosamente, você me colocou na fila de espera. Eu nem sabia por que certas coisas ficavam na minha cabeça, mas havia aquela frase que eu vivia escrevendo pelos cantos sem entender ao certo, que dizia: “Coloque meu nome no topo de sua lista”. Ba dum tss! Deu pra sacar agora que acabou.
A questão é que eu fiz tudo por você. Deixei suas ideias perfurarem as minhas e transformar minhas certezas em dúvidas. Achei maravilhosa a sua ideia de amor sem fronteiras, sem limites, sem pontos fracos, mas agora eu vejo: Só amor não é suficiente, não. Infelizmente a gente não vive num paraíso em que a gente passa o dia todo se amando e dizendo “eu te amo”, então também é preciso ter noção de mundo. Ter noção de que o tempo passa e de que a gente tá aqui pra melhorar a cada dia, trabalhando e servindo. Então não adianta me encher de romance se não vou poder contar contigo no dia-a-dia.
Então, de todo o meu coração, declaro que não estou nem aí para o que todo mundo acha sobre o que eu penso da vida. Os mesmos que postam “open your mind” no Twitter são os ignorantes que não aceitam um não no dia-a-dia, então dessa vez não vou ser a piedosa. Respeitei suas coisas, então agora respeite as minhas. Cansei de aguardar por você e de ficar aqui achando que seu sofrimento é tão grande quanto o meu, porque não é. Você não largou metade do seu ser pra trás, mas eu sim. Você não implorou, não permaneceu, não lutou, mas eu tô aqui como sempre estive. Mesmo depois de tudo, tô aqui com uma pontinha de esperança martelando na cabeça, que, mesmo depois de todos os seus fracassos, ainda acredita que você vai aparecer um dia desses cheio de mudanças.
Use o seu moletom rasgado, vista a sua impaciência e faça o que tiver vontade, pois não me meto mais. Só que quando for falar de amor, tire essa ideia de Hollywood da cabeça. Você detesta romance, mas é bem chegado num drama. Que passasse 30 dias sem me chamar de um apelido carinhoso que viu na internet, mas que levantasse todos os dias disposto a ser amigo quando eu precisasse. O amor é um trabalho em grupo, que só funciona se todo mundo ajudar. Quando um se apoia no outro, a tendência é de que o amor acabe como uma brincadeira de cabo de guerra: um sempre exerce mais força que o outro, e tende a ficar em pé, enquanto o outro acaba deitado.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Tempestade


Você tem esse ar alegre e esse sorriso aberto que só a brisa fresca do dia explica. Tem essa inocência mascarada de romantismo e esses sonhos construídos em você como pontes, ligando você de fora á fora. Tem esses cabelos escuros e olhos tão gentis, que fazem lembrar plumas me envolvendo. Tem você. Tem toda essa conversa puxada, que me faz perceber o quanto a gente tem em comum. Tem essa gentileza e essa leveza que me fazem querer te olhar de pertinho, reparando na barba e nas manchinhas que se escondem em sua pele. Tem essa mania de sempre chegar de surpresa e me segurar pela cintura como se não fosse me deixar cair. Tem esse jeito divertido, esperto e risonho que desperta o pouco de suavidade que há em mim.
Mas se soubesse do caos aqui dentro... Caramba! Esse liquidificador de emoções te assustaria em questão de segundos. Correndo de um lado pro outro, dando de cara com minhas tristezas profundas e minhas coragens absurdas. Eu sou assim, sabe? Você deixa meu sorriso mais leve, mas me faz perceber que meu emaranhado de sonhos é muito mais obscuro. Há sempre o talvez, afinal. Talvez você compreenda, talvez não. De qualquer forma, eu ameaço pular, mas tenho medo de me machucar. Não que você seja uma pessoa rasa (e eu até pularia de cabeça), mas é que talvez eu já não seja mais criança. Corrompida dia após dia, assistindo aos amores e esperanças caindo um por um, fui me escondendo. Até sorrio e digo boa sorte, mas penso: “Melhor não criar expectativas”. Fui me definhando atrás de uma armadura, no final das contas. Apenas uma rosa protegida por uma selva de pedras. Seus olhos dizem sim, mas quem sou eu para me dar o luxo de experimentar a paixão de novo?
A dor ainda lateja por toda a alma. Tô mais pra uma ressaca sentimental. Prefiro fechar as portas, não deixar nem uma fresta de esperança. Percorrer caminhos, felicidades curtas e noites ilusórias de amores que duram só até o efeito do álcool passar, mas não te colocar nessa dança. Estragar sua doçura a troco de quê, meu amor? Deposite sua leveza em alguém que não tenha medo de tirar os pés do chão, em alguém que não tenha dúvidas e carregue menos caos.
Talvez, quando eu estiver pronta. Talvez sim ou talvez nunca mais. Não vou corromper suas fantasias recém-chegadas. Deixa pra depois minhas tentativas frustradas de começar de novo. Como se fosse verdade quando dizem que “dessa vez vai ser diferente”. Então vá, minha doce criança, se apaixonar outra vez. Sem medo de pular, sem medo de se machucar. Com trilhas sonoras, primeiros encontros e chuva no meio do caminho. Espere-me passar, como se eu fosse uma tempestade.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Na Estante: A Menina Que Colecionava Borboletas


Voltei com mais uma resenha, que dessa vez está bem curtinha, mas acho que consegui dizer tudo o que achei sobre o livro. A Menina Que Colecionava Borboletas é o escolhido da vez. Escrito por Bruna Vieira, ele traz uma série de crônicas, poemas, ilustrações, músicas... Um livro bem dinâmico, com toda certeza. 
Sempre gosto das coisas que ela escreve, mas gostei bastante deste aqui. Espero que ele consiga atingir vocês da mesma maneira, fazendo com que pensar em si mesmo não seja algo carregado de insegurança, mas de certezas.
Agora as frases, né? 

"Tenho orgulho de dizer que superei aquela antiga vontade de impressionar as pessoas."

"Depois de certo tempo, a gente finalmente entende que culto mesmo é quem não tem vergonha de reconhecer suas limitações." 

"Jogue a palavra "terapeuta" + o nome da sua cidade no Google e seja feliz."

"A verdade é que a vida da gente é curta demais para deixarmos que a transformem em um tribunal e fiquem julgando o que é ou não apropriado." 

"Quando algo de que gostamos está sempre à nossa disposição, acabamos nos acostumando com isso e, por comodidade, nos esquecemos de demonstrar o quanto aquilo é importante e de tomar o cuidado necessário."

"Não existem garantias ou promessas que durem para sempre. Precisamos continuar lutando por aquilo em que acreditamos."

"Quando o assunto em questão é o amor, somos sempre um pouco ingênuos e imaturos."

"Nem sempre ter razão é a coisa mais importante."

"Basta uma faísca de tristeza para que tudo ao meu redor se torne absolutamente questionável."

"Não falo muito e escondo coisas até de mim mesma."

"Armadura nenhuma nos protege de nós mesmos."

"O importante, eu diria, é continuar sentindo vontade de chegar a algum lugar."

"Na maior parte do tempo você não estava realmente aqui. Eu só tinha momentos, bons momentos, mas a semana é longa e eu não sei brincar de faz de conta por tanto tempo."

"Eu estava me apaixonando perdidamente por alguém que nunca existiu de verdade. Tudo era fruto da minha fértil imaginação." 

"Eu tenho essa tendência à tristeza."

"Tenho pavor de gente interesseira." 

"Já fui a babaca e também a otária." 

"Amar é o maior desafio que nós enfrentamos enquanto humanos neste mundo. É complexo. Porque trabalhar oito horas por dia é cansativo. Estudar cinco dias por semana é um saco. Já para suportar um sentimento nobre e real dentro do peito, não existe hora. Muito menos férias ou feriado."

"Vou devagarzinho com minhas expectativas, sabe?"

"Não tenho medo de nada. Até eu me apaixonar." 

"Uma garota sempre sabe quando um cara está olhando."

"Who cares para tudo isso quando o coração está batendo mais forte ou a luz do quarto está apagada? Meus caros, a vida é muito curta para a gente ficar se importando tanto com o que vão pensar." 

"Mas, quando se está apaixonado de verdade, qualquer silêncio ou pausa é um convite para viajar no tempo."


domingo, 3 de agosto de 2014

Segredo


Meu conceito de amor é algo que provavelmente vai mudar todo ano, todo mês ou até enquanto escrevo este texto. Acredito que o amor seja abstrato demais, como uma borboleta que foge quando você está quase alcançando. Não se faz uma prova fechada sobre o amor: ele não gosta de ser previsível. 
Quem disse que se apaixonar é fácil, estava certo. A gente se apaixona na fila do banco, no ônibus a caminho da faculdade ou até por alguém que conhecia há anos, mas que, de repente, nos deu uma brechinha de possibilidade. Quem nunca se apaixonou que atire a primeira pedra. 
Porém, quem disse que amar é fácil, jamais amou. Amar é dar continuidade. Para amar, a gente precisa fazer um balanço geral todo dia. Sabe como é, né? E quando alguém colocar o coração em suas mãos, muito cuidado para não tropeçar ou esquecê-lo em algum lugar. 
De fato, o amor é lindo. É te olhar nos olhos com as luzes do Mundo apagadas, sentindo a eletricidade dentro do meu peito. É sonhar que a gente dança em outra época, voando com nossos trajes de seda. É esquecer de todo o resto quando você chama meu nome.
Só que o amor necessita paciência. Paciência com a divergência! Paciência até com a impaciência, porque o amor briga, xinga, se chateia, se afasta e te deixa sozinho com seus próprios pensamentos. Pensamentos que gritam tristeza e ecoam os gritos do vazio no peito que se fez com a saudade. Só que passa. Um dia sempre passa. O amor não mata, não.
Muito cuidado pra não depositar no outro seus sonhos, desejos e frustrações. Você mal consegue se compreender por inteiro, então porque esperar que ele saiba o que é ser você?
Deixe-o ser. Deixe o amor te mostrar seus defeitos, sonhos, mágoas e fantasias. Entregue-se aos poucos, conforme a resistência da rede que te ampara lá embaixo. De vez em quando, entregue-se por inteiro. Faça o medo de combustível. 
"Que seja doce", como já dizia Caio. Que seja leve e tranquilo, mas louco e intenso. Que seja amor.
Depois me conta.

sábado, 19 de julho de 2014

Fui


Eu abandonei o castelo. Sabia que seria chamada de injusta por muito tempo e fui mesmo assim. E, se me perguntarem, direi que realmente era um reinado perfeito.
Vou preservar seu nome. Nem tanto por amor, mas porque realmente não tenho nada a dizer. Algumas brigas, mas você não chegou nem perto de ser um cara traíra. Seu problema, na verdade, foi não ter visto que eu precisava de espaço para voar.
Fala sério! Eu quase me esqueci de quem eu era. E você? Assim, sem saber o motivo, eu amei você. Vão me mandar para a forca por ter abandonado um príncipe? Admiro o seu romantismo, mas eu te amaria mesmo que fosse um sapo, desde que não faltasse companheirismo.
Todo mundo tinha certeza. Pra quê ir embora? Acontece que, de mim, não gosto que tenham tanta certeza assim. Você sustentava essa ideia de futuro e jurava um amor que, para mim, era um problema. E eu mal consigo suportar os meus!
E fui. Mesmo que sozinha. Porque assim como a falta de amor, o excesso dele também é um problema. Tudo na vida precisa ser dosado. Maior que o que eu sinto por você, é a dose do meu amor próprio. Não me permito ficar em teu conforto, pensando no que poderia ter sido.
Eu amo as palavras, mas, acredite ou não, prefiro as atitudes. Para o seu contento, lhes deixei estas aqui antes de fechar a porta. Elas têm um bom apelo teatral, do jeito que você gosta. Não sei quem foi que te apresentou essa ideologia estética do amor.
Vou atrás dos meus sonhos. Cansei de ensaiar a pose e me deitar completamente vazia ao seu lado esquerdo na cama. Eu fui embora certa de que amo você e pensando em qual valor teria uma foto cheia de curtidas no Facebook, mas um coração inseguro do lado de dentro.