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sábado, 19 de julho de 2014

Fui


Eu abandonei o castelo. Sabia que seria chamada de injusta por muito tempo e fui mesmo assim. E, se me perguntarem, direi que realmente era um reinado perfeito.
Vou preservar seu nome. Nem tanto por amor, mas porque realmente não tenho nada a dizer. Algumas brigas, mas você não chegou nem perto de ser um cara traíra. Seu problema, na verdade, foi não ter visto que eu precisava de espaço para voar.
Fala sério! Eu quase me esqueci de quem eu era. E você? Assim, sem saber o motivo, eu amei você. Vão me mandar para a forca por ter abandonado um príncipe? Admiro o seu romantismo, mas eu te amaria mesmo que fosse um sapo, desde que não faltasse companheirismo.
Todo mundo tinha certeza. Pra quê ir embora? Acontece que, de mim, não gosto que tenham tanta certeza assim. Você sustentava essa ideia de futuro e jurava um amor que, para mim, era um problema. E eu mal consigo suportar os meus!
E fui. Mesmo que sozinha. Porque assim como a falta de amor, o excesso dele também é um problema. Tudo na vida precisa ser dosado. Maior que o que eu sinto por você, é a dose do meu amor próprio. Não me permito ficar em teu conforto, pensando no que poderia ter sido.
Eu amo as palavras, mas, acredite ou não, prefiro as atitudes. Para o seu contento, lhes deixei estas aqui antes de fechar a porta. Elas têm um bom apelo teatral, do jeito que você gosta. Não sei quem foi que te apresentou essa ideologia estética do amor.
Vou atrás dos meus sonhos. Cansei de ensaiar a pose e me deitar completamente vazia ao seu lado esquerdo na cama. Eu fui embora certa de que amo você e pensando em qual valor teria uma foto cheia de curtidas no Facebook, mas um coração inseguro do lado de dentro. 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Na Estante: A Estrela Que Nunca Vai Se Apagar


Olá! Estou de volta com mais uma resenha em vídeo! Dessa vez vou falar sobre A Estrela Que Nunca Vai Se Apagar, o diário de Esther Earl, a garota que inspirou John Green a escrever A Culpa é Das Estrelas. 
Confesso: foi um livro super hiper demorado de ler e demorei a perceber o propósito dele, mas, quando terminei, me senti uma pessoa totalmente diferente. No livro tem histórias escritas por ela, fotos, desenhos, depoimentos... 
É uma história maravilhosa! Parabéns, Esther Earl, por fazer a diferença e por espalhar seu amor mesmo não estando mais neste mundo. 
Como de costume, as frases:

"A maior qualidade da comunidade de fãs de Harry Potter é que ninguém critica ninguém." - John Green

"A medida de uma amizade não tem a ver com presença física, mas, sim, com seu significado." - John Green

"Vivemos em um mundo definido por seus limites: não se consegue viajar mais rápido que a velocidade da luz. Todo mundo deve e vai morrer. Não se pode escapar dessas limitações. Mas o milagre e a esperança da consciência humana é que ainda podemos conceber a infinitude." - John Green

"Como o poeta escreveu no Cântico dos Cânticos da Bíblia, "O amor é forte como a morte". Ou talvez mais forte ainda." - John Green

"Ela amava as palavras, sentia sua força e acreditava na magia das histórias." - Lori e Wayne Earl

"Ainda sinto dor por dentro, não importa o quanto pareça feliz por fora." 

"O que a vida joga em cima da gente nunca faz sentido (...) Quanto tempo esperamos que a vida mude a gente? Quanto tempo devíamos tentar mudar a nós mesmos?" 

"Nunca choro durante o dia. Se preciso, seguro esperando para chorar à noite. Às vezes choro, às vezes, não. Se não choro, a emoção reprimida vai para minha panelinha de emoções, e quando a panelinha de emoções fica cheia, eu desmorono." 

"Obrigada, mãe, por ser minha mãe. Quando você está comigo, sinto paz, e quando você assume o controle, sei que vai cuidar bem das minhas necessidades. Você aguenta mais do que qualquer mulher deveria - sempre. Você é minha amiga, minha mãe, minha inspiração, quando estou triste, seu abraço me faz lembrar que não estou sozinha. Você faz eu me sentir melhor (...) Quando fico inquieta ou meio confusa, sua presença me devolve a sanidade."

"Me sinto tão inútil (...) Quero fazer a diferença, ajudar alguém. E não sei como."

"Não sou muito artística, não sou muito nerd, não sou muito popular, não sou muito engraçada/palhaça. Não sou muito rebelde. Não me encaixo em grupo nenhum."

"A dor é muito ruim, mas sempre vai embora."

"Por que se abrir aos amigos se eles não percebem você em sua vulnerabilidade? O que importa é amar os amigos completa e totalmente, o melhor e o pior lado, e amar mais do que apenas as coisas boas. Trata-se de mostrar que você está disposto a aceitá-los pelo que são, que eles não devem se sentir inseguros ou constrangidos na sua presença, o que pode ser uma tarefa difícil." - Arka Pain

"Ao amar os erros dos outros, aprendemos a aceitar os nossos." - Teryn Gray

"Adoro coisas esquisitas." 

"Tipo, tudo bem, eu estava bem, nada de muito ruim tinha acontecido, só me senti sem saco."

"Lembrem que vocês têm sorte, mesmo se acharem que não têm. Porque sempre tem alguma coisa pela qual ficar agradecido."

"Você passou tanto tempo fugindo que esqueceu para onde estava correndo." - Lost

"Não é triste que tantas vezes seja preciso encarar a morte para se apreciar a vida e uns aos outros por inteiro? Espero que você esteja fazendo diferença para alguém hoje..." - Lori Earl

"Não se esqueça de ser incrível."

"É impossível conhecê-la e não amá-la." - John Green

"A questão mais importante no final da nossa vida não é o quanto trabalhamos ou o quanto realizamos. É: "Amei bem?" (...) Apesar de todos os problemas do planeta, não estamos aqui para salvar o mundo. Estamos aqui para nos apaixonarmos por ele." - Andrew Slack

"O amor é forte como a morte." - Canto dos Cânticos 8:6



domingo, 6 de julho de 2014

Menino dos olhos


Subi no metrô às seis e meia da tarde de uma sexta-feira. Para a maioria das pessoas, isso significava correr com seus celulares barulhentos para casa, e terminar a noite morrendo de rir num barzinho de esquina. Para mim, contudo, significava mais um fim de semana de seriados, sorvete e cobertor. Então me sentei – agradecendo por não estar lotado – e encostei minha cabeça na janela, cansada.
Os prédios pichados e as estações cortavam a paisagem quando olhei para frente. Você desviou o olhar, mas eu fui mais rápida. Fui tomada por uma curiosidade que me obrigou a te examinar da cabeça aos pés. Seu rosto era sereno. Cara de menino comportado, que não fala muito, mas sorri quase sempre. Olhos apertados, brilhantes, como se fossem me contar um segredo a qualquer momento. E contou. Fui flagrada no instante seguinte, sendo tomada pelo rubor das minhas bochechas. Você sorriu e abaixou a cabeça, e eu ri baixinho, como se o conhecesse há anos. Tentei ignorar seus olhares constantes, que me cortavam com borboletas e fantasias, às vezes examinando o V da sua boca.
Você desceu. Duas estações antes. Não pude conter a tristeza que você me deixou. Te acompanhei com os olhos até a  escada rolante, onde você, sutilmente, parou, se virou e sorriu de lado, me deixando sem chão, nem nada.
Foi assim que você, sem querer, partiu meu coração. Deixou-me com uma vontade insaciável de chegar bem pertinho e contornar as ruguinhas do teu sorriso com as pontas dos dedos.
E se eu pegar o metrô de novo nesse horário?
Você me olhou, em 8 minutos, de um jeito que nunca fui olhada durante a minha vida inteira. Então que nada seja por acaso, menino dos olhos. E que os nossos olhos se encontrem outra vez.
Naquela sexta, a quantidade de sorvete foi redobrada. Em sua homenagem, não prestei atenção na TV e imaginei como seria dividir meu cobertor com você.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Me guarda


De algum jeito, algo se perdeu. Era aquele "algo a mais" que te diferenciava de todo o resto. Algo fez com que seus olhos ficassem rígidos e cinzas, como uma parede que me impede de entrar.
Eu olho para trás e as memórias já são um passado muito distante. Sinto saudade de como nos atraíamos e éramos um só. Eu troquei tudo por você e dei o que eu não tinha, sem saber que esse tinha sido o erro. 
Era você o meu sorriso, meu melhor abraço, meu abrigo. Quando o mundo me assustava, quando os pesadelos me invadiam e a chuva não cessava, era em você que me escondia.
O fim parece inevitável. Nosso destino nos pregou uma peça. A gente não sabe de nada, mas gosta de falar que é para sempre. 
Nem sei como fazer passar. Meu bem, nada no mundo me faria esquecer. Você é um livro bom, mas curto. Tudo bem já que somos acumuladores de histórias. Me guarda com carinho. O gosto, o cheiro, a necessidade, o sorriso e tudo que não se compara a nada do que eu tenha vivido.
Você. Sempre. Mesmo que só em memória. 

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Sem fim


O amor transforma as pessoas. Lógico que era amor, porque eu parecia estar imersa num céu cheio de cores. Era visível quando você estava aqui com o seu melhor sorriso.
O jeito que você segurava a minha mão, como um cara que faz a maior questão de dizer: “Essa aqui é a minha menina”. O jeito que você me abraçava, como quem sabe o que faz. Todo cavalheiro, largava sua vidinha pra fazer poema comigo.
E era tudo tão complicado ao nosso redor, eu duvidava de todos os seus passos. Eu não sabia se era terra firme, meu bem. Meus olhos caíram nos teus antes que eu pudesse dizer que não, que eu não queria, que eu tinha medo. Você foi chegando tão de mansinho, e eu precisava tanto de um colo, no fim das contas.
Eu amei você e, amando você, eu aprendi a amar a mim mesma. O jeito que seus olhos percorriam meu corpo – e minha alma - compensava o silêncio dos elogios não recebidos. Seu “eu te amo” abafado, num tom desesperado, servia para me convencer de que você valia todas as decepções da vida.
Você ia, sempre na vontade de ficar. E sempre voltava com aquela cara de criança sapeca e traiçoeira. Eu fui apaixonada por você. Sou! Você foi uma dessas paixões que acabam porque a vida quer, mas que continuam vivas e lindas mesmo depois de anos. Depois de todo esse tempo, já não reconheço mais você, mas sei que te vejo em todos os cantos.
Eu sou louca por você. Viraria cineasta pra fazer a nossa história ser contada outra vez. Tenho uma caixa pros teus segredos e uma parte do meu coração pra saudade que eu sinto. Sei que o passado nos persegue incansavelmente, então tomara que um dia você me alcance.
Vou sair de casa com a minha pior roupa, entrar na padaria da esquina de casa, escolher pães doces e entrar na fila. Quando eu tropeçar na senhora da frente, um rapaz vai me segurar e, quando eu for agradecer, vai ser você. Com a mesma pulseira de ouro que você tinha e aqueles olhos que vasculham cada fresta do meu eu. E você vai ver um pouco de você em cada parte de mim: no jeito que eu danço, nas piadas que eu conto, no jeito de calçar os sapatos. Eu não sei o que eu faria se fosse assim, por acaso, como a gente costuma dizer. Vamos começar com “oi, quanto tempo?”? Ou largue tudo, fuja comigo. Inconsequente, como a gente era. O mundo é de nós dois, como há 10 anos atrás.
Eu te amo, para todo sempre. Você deixou uma linda e serena saudade. Vê se aparece, cara. Você precisa acertar suas contas com o destino.