domingo, 31 de janeiro de 2016

A Rua da Saudade


A Rua da Saudade era uma daquelas ruas estreitinhas que só passa um carro de cada vez. No inverno as árvores carregavam espelhos de gelo que faziam ruídos estranhos nas tempestades de vento, mas no verão... Ah, o verão! A Rua da Saudade se transformava num mar de flores e jovens desfilando com suas vespas e vestidos que flutuavam no mesmo compasso que as risadas.
Frederick nasceu numa casinha amarela rodeada por plantações de uva. A produção de vinho foi a mil quando o caçula da família veio ao mundo. O clima dos escritórios e a papelada ficavam mais fácil quando Frederick estava ali contando casos considerados desapropriados para o ano de 1987, embora todos adorassem a dose de liberdade antes de voltar para casa e para seus papeis de pais autoritários.
A coisa ficou complicada quando Frederick foi para a escola. “Ele não interage com as crianças!”, dizia a professora aos seus pais, enquanto ele escutava atrás da porta. Ele correu para o quarto e pintou um quadro, mais um para a enorme pilha pela qual ninguém se interessava. Seus pais arruinaram todos os seus potes de tinta e pinceis, para que talvez não houvesse mais desculpas para aquele hobby inútil. Aquela foi a primeira vez que partiram o seu coração, mas ele foi mais forte: descobriu que os livros contavam histórias de vidas que ele jurava ter vivido e que a lapiseira da escola, mesmo sendo de um cinza entediante, lhe proporcionava todos aqueles esboços e silhuetas de um mundo que ele via quando fechava os olhos.
Ele não se preocupava muito com os boatos e sabia que era perfeitamente normal. Com o tempo seus comentários malucos perderam a graça; as pessoas o evitavam e protegiam seus filhos do “louco da Rua da Saudade”. “Ele fala sozinho, como isso pode ser normal?”, diziam as pessoas quando seus pais tentavam apresentá-lo. Ele não sabia do que estavam falando, porque ele não falava sozinho. Havia essas pessoas o tempo todo. Enquanto a professora ensinava história, Charles Chaplin fazia careta atrás do quadro. Quando o pai pedia silêncio no escritório ele se sentava e via inúmeras crianças pulando por sobre os livros e brincando com o bigode engraçado do homem no quadro que ficava na recepção. Ele pintava aqueles lugares que via quando estava dormindo e todas as pessoas terrivelmente incríveis que mais ninguém podia ver ou escutar.
Seus pais adquiriram bolsas enormes embaixo dos olhos com o passar dos anos e apesar da necessidade, ele nunca teve capacidade – ou vontade – para assumir os negócios. Durante a manhã, pegava a bicicleta e uma câmera que achou no lixo. Ele fotografava o nascer do sol, os alpinistas e os olhares doloridos dos cachorros abandonados.
Um dia ele conheceu uma moça. De todas as coisas que poderiam ser ditas sobre ela, o imensuravelmente lindo era aquele vestido vermelho combinado com aquele olhar tão doce quanto caramelo. Sua risada gutural impulsionava uma produção acelerada de borboletas que faziam cócegas quando saiam pela boca. Ela admirava com atenção cada gesto nervoso, mas aquele restaurante estava inundado de almas e cada um tinha um conselho sobre como se portar na frente de uma moça. “Faça isso, faça aquilo, fale isso, evite aquilo”. Até que ele fechou os olhos, bateu as duas mãos na mesa e gritou, fazendo com que a moça engasgasse com o vinho.
Ele correu, entrou em casa, bateu a porta e chorou. “Eu não sou normal”. Seus poetas mortos o consolaram em silêncio e Picasso em pessoa trouxe uma aquarela do céu. Ele finalmente se levantou e, mesmo hesitante, pegou o pincel e pintou a saudade.
No dia seguinte o céu era de um azul profundo e vários beijos foram roubados. O cachorro da família encontrou Frederick com uma palheta de cores na mão esquerda e, na mão direita, um buquê de tulipas. Seus pais morreram cinco anos depois, mas aquela pintura rodou o mundo. Quando a internet veio à tona e a Rua da Saudade virou tema de reportagem, a casa de Frederick virou atração principal e era ele quem recebia os convidados. Ele sorria e guiava as pessoas, cuidando para que elas não tropeçassem nos degraus das escadas. Ele enchia o quarto de luz para que admirassem a sua obra-prima. As pessoas sorriam quando caminhavam na manhã de domingo e sentiam o cheiro de flores dançando com o vento. Ele estava vivo.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Sozinha?


Viver sozinho faz a gente se abraçar. Não tem ninguém pra botar a culpa. É apanhar do caixa eletrônico e abaixar o nariz pra pedir ajuda. É aprender a pedir perdão e dizer “não” sem precisar se justificar.
Querendo ou não, penso até demais. Esse jeito pisciano não me deixa ser só mais um na multidão. Acordo ás cinco da manhã num quarto vazio e escuro me perguntando: “Você gosta de estar sozinha?”.
Não sei, cara! Eu nunca fui fã de coisas fáceis e rotina me incomoda muito. Claro que é muito confortável ir ao salão de beleza uma vez por semana e pedir uma pizza quando o que tem pra janta é legume.
Muita gente vai dizer: “O que essa menina sabe da vida?”. Quase nada! O problema é que nasci com uma sensibilidade imensa e posso sentir essa coisa chegando: a tal da maturidade.
O pior é ficar me perguntando o que eu quero, porque eu não sei! Seria tão bom se eu pudesse ser eu. Será que eles precisam de honestidade no mercado?
Talvez eu seja meio ambulante mesmo. Minha família é meu lar, mas meus pés sofrem quando não têm milhas pra contar. Dizem que o pior de ir embora é a despedida. Já eu acredito que não tem nada mais fantasioso que as memórias. As pessoas só dão flores na despedida.
É só que, de repente, a gente passa a comer salada porque sabe que precisa e não porque a mãe tá mandando. Ninguém vai dizer “não” quando você quiser sair com amigos errados e é bom que você aprenda a lidar com o seu orçamento mensal.
Crescer é sofrido – e mal começou. É tentar não pirar quando seus pais estão em outro continente e não chorar feito um pré-adolescente quando seu dia tá uma merda.
Crescer é aprender a apreciar a calmaria antes da próxima tempestade, porque uma coisa é certa: ela sempre vem. Sem contar que dentro da gente tem sempre essa chuvinha fina; o tempo levando a nossa juventude e deixando um gostinho de nostalgia.
Espero que haja um lugarzinho pra mim. Na carreira dos sonhos, num bairro legal, numa rodinha de gente boa. Espero que seja incrível e não “mais ou menos”. Se a vida é feita de altos e baixos eu vou me divertir como se fosse uma montanha-russa.
Que eu não me esqueça de agradecer, mas, principalmente, que eu nunca me sinta sozinha, porque eu não estou. Bonito mesmo é fechar os olhos e ser sincero; desligar a internet e olhar no olho; ser corajoso pra viver a vida.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Dança sem par


O coração da gente tem vontades estranhas. Eu sou daquelas pessoas que têm dedo podre, sabe? Pré-requisito pra eu me apaixonar: ter algo que me deixe literalmente no chão quando acabar.
Não digo com tristeza, não. Digo por que me conheço e sei que é assim. No final eu sempre acho que fiz a escolha errada. Meus instintos de autodefesa nunca funcionam, já que eu tenho uma mania incurável de persistência. Tá machucando, mas eu continuo. Por menores que sejam as boas razões para continuar, são sempre elas que eu tenho em mente. Eu não vou ser essa pessoa que vai largar um lado do elástico – e nunca fui.
Dizem que em algum momento da vida a gente percebe que o amor não é coisa de criança. O amor não é morrer de paixão e fazer todas as besteiras que a gente faz e depois se arrepende. Dizem que é mais puro e sereno que isso. Depois de tanta rasteira a gente se aquieta. Me dá preguiça de recomeçar, se é que me entende. Relacionamentos exigem tempo e sacrifício. Um balde enorme de energia jogado direto no esgoto por uma pessoa que talvez não tenha esclarecido suas intenções – ou até que saiba bem até demais quais são. Chamo isso de fórmula inteligente e rápida: Em caso de paixão, corra.
Corra pra bem longe, assim como eu estou fazendo agora. Que me chamem de covarde ou whatever. Você foi a minha paixão mais evitada.
Eu sabia que estava apaixonada porque toda vez que chegava perto de você eu pensava: “Não se apaixone”. Bingo! Um belo dia olhei pra trás e enxerguei todas as vezes que chorei no chão do banheiro depois de ouvir sobre a sua “nova namorada”. Enxerguei todas as vezes que deveria te odiar, mas não consegui dizer um maldito “não” pra você. “É que eu não me senti no direito”, digo. Merda nenhuma! Na verdade eu planejei um enorme discurso com muito dedo na cara, mas te vi e perdi todas as palavras dentro dos seus olhos castanho-claros.
Seria cômico se não fosse trágico. Poderia fazer um filmezinho água com açúcar com o meu jeito de ver você. Você tinha que ver todas as vezes que treinei meus diálogos contigo na frente do espelho. Só que chega um ponto que sobressai e vai além do planejado.
Quando ouvir a sua voz me dói de uma maneira quase física, eu caio na real: Você nunca vai ser meu. Você nunca vai entender esse meu jeito pisciano de ser ou o quanto você destrói minhas fantasias quando fala de maneira fria e calculista sobre o amor. Somos como água e óleo, dois planetas diferentes. Sejamos honestos: a gente não cabe na vida um do outro.
Normalmente eu seguiria meu coração e você, mesmo sabendo que não tem jeito. Tenho que admitir que meu coração ocupa grande parte do meu corpo e que eu sou assim, simples demais. Só que dessa vez eu não abro a minha boca. Essa moça aqui não quer olhar nos seus olhos, menino. Não quero ser guiada. Dessa vez eu fecho os braços e danço sozinha. Danço comigo – e assim não tem jeito de me machucar.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Feliz (re)começo


Faz muito tempo que eu não sou sincera comigo mesma. Para ser mais específica, levo quase 18 anos mentindo. Há exatos 4 meses e 27 dias atrás eu embarquei sozinha num avião com destino à Áustria. Eu não falava nem sequer uma palavra em alemão e nem imaginava que o simples ato de pegar um carinho de supermercado poderia ser tão diferente. Aqui estou eu, trancada no quarto e sendo a pior pessoa que alguém gostaria de ter em casa. Só que dessa eu resolvi tentar.
Para começo de conversa – ou de desabafo -, uma pessoa é muito mais do que aquilo que a gente consegue ver. A maior parte do que eu sou eu só vejo de olhos fechados. Isso porque eu realmente gostaria de saber me expressar. Na verdade, a vida inteira eu tentei não incomodar. Todo mundo ia amar sorvete de morango, então porque eu deveria me pronunciar sobre a minha preferência pelo de chocolate?
Até que chega um momento em que você está sozinho. A casa pode estar lotada e seu celular sempre vibrando com notificações, mas você está sozinho. Você precisa dizer que tem fome, que não sabe como usar a máquina de lavar roupas e até que precisa de remédio. Estranho! Na minha casa bastava pegar o que eu quisesse quando eu tinha fome; eu sabia exatamente como as coisas funcionavam e onde ficavam; e sabia exatamente quando e qual remédio tomar. Pronto, rápido assim. Tudo sem incomodar meus pais ou qualquer outra pessoa. Em casa eu mal fazia barulho. Só que precisei de quase cinco meses para – começar – a entender que eu não estou em casa.
Eu estou há 9 mil quilômetros de casa. Aqui não é calor, as pessoas tampouco são calorosas, aqui não tem arroz e feijão, aqui não tem música alta, aqui não falam português, aqui não é o Brasil. Merda.
Pois então sinto dizer, querida eu, mas odiar tudo ao seu redor é pura ignorância. Eles têm um milhão de defeitos e nada ao seu redor faz sentido, mas que culpa eles têm? É melhor sorrir quando te julgarem com os olhos.
Não foi isso que eu busquei? Há muito tempo atrás, quando eu ainda não tinha medo, eu tinha o costume de dizer que iria embora, mesmo que eu mal entendesse o que significa isso. Eu passei cada noite da minha vida com a cara enfiada em livros cujas histórias se passavam em Paris e sonhando com o dia em que fosse conhecer aquela parte da Itália que eu tinha visto no Tumblr. E agora? Voltar atrás? 9 mil quilômetros atrás?
Eu não sou essa pessoa. Sinto decepcionar vocês. Eu não quero uma mansão. Viveria num trailer se meu salário pagasse minhas viagens. Quero ostentar meu passaporte e minha estante de livros. Sei que num jantar vou ser sempre a “tia mente aberta” da mesa e que meu jeito de ver o mundo vai incomodar muita gente, mas sinceramente não me interesso pelo modelo politicamente correto. A vida é minha e más línguas não sabem de nada sobre a minha relação com Deus e meus amigos espirituais.
E, coincidência ou não, ontem mesmo viramos mais um ano. Assisti aos fogos sem conseguir fazer um mísero desejo. Coloco o primeiro pé nesse ano sem nenhuma expectativa. O que eu quero mesmo é falar o que eu penso e fazer o que eu quero. Ninguém me poupou de nada, então por que eu deveria poupar o mundo da minha presença? Eu estou aqui. Eu penso e eu vivo. Isso já é um enorme estrago e, se eu quero mesmo alguma coisa, é melhor eu ficar boa nisso.
Desafio para mim é mudar. A guerra continua e a corrupção, também. Eu quero dizer “sim” só quando eu realmente quiser e “não” mesmo que digam que fui egoísta. Eu não sei quem eu sou, pois sempre evitei tentar descobrir, mas eu quero e vou me encontrar. E pode ter certeza que tudo que eu tiver nessa vida vai ser conquistado com muito suor, porque eu não aprendi a trapacear.
Meu amor, o tempo atropela. Seja louco. Loucura é coragem. Coragem é liberdade – ou vice-versa. Tenho muitos roteiros de viagem, planos sobre tatuagens, pessoas que me engrandecem e, o melhor de tudo, tenho a mim. A verdade, triste e libertadora, é que ninguém precisa de você. A gente vem ao mundo sozinho e vai morrer sozinho também. Ainda bem que minha mãe sempre disse que me criou para ser do mundo. Dá licença, sou cidadã global e cada segundo dessa vida é meu.
Vai ser difícil, eu sei. Olhar no olho, falar alto, arriscar. Eu nunca fui uma pessoa descolada. Na verdade eu morro de medo de palco. Só que por mim eu vou.
Ainda me restam mais ou menos 6 meses por aqui e espero aproveitar cada segundo, e crescer tanto quanto for possível, mas sei que não é o fim. Não há que ter pressa. O destino de todo mundo é o mesmo, no fim das contas, então... Não corre, não! A gente é muito mais do que pensa e a vida é muito melhor do que qualquer plano que a gente possa ter feito.
Que me perdoe meu lado pisciano, mas fantasiar também é covardia. Acorda desse sonho! Não há príncipe que possa me salvar de mim mesma.
E, por fim, amém! Deus sabe direitinho o que a gente quer. Não tem um idioma que ele não fale. Alguém já te disse que reclamar na frente da televisão é inútil? Levanta! Esse ano eu estou pronta para incomodar. Feliz recomeço.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Na Estante: Para todos os garotos que já amei


Hallo, leute! Mais um livro! Até que estou lendo bastante por aqui, né? Acho que já sabemos que alguém tem insônia (HAHAHA).
Então, o livro de hoje é bem legal! Na verdade, eu escolhi ler esse justamente porque sabia que era um livro tranquilo. Às vezes é legal ler um livro água com açúcar e até que eu adorei esse aqui.
Para todos os garotos que já amei conta a história de Lara Jean, uma menina que vive com o pai e as duas irmãs. Ela perdeu a mãe quando era mais nova e Margot, a irmã mais velha, é quem cuida de tudo em casa. Ela organiza os horários, faz as compras, cozinha... Margot também namora Josh, de quem Lara Jean gostava. 
Até que um dia Margot vai para a universidade na Escócia e é a Lara Jean quem precisa assumir a responsabilidade. Acontece que Lara Jean tem uma caixa onde guarda cartas que escreveu para cada um dos garotos que gostou e, de repente, todas essas cartas são enviadas. Inclusive, a de Josh. Então ela precisa de um plano rápido para afastá-lo, em respeito à irmã. 
É assim que ela começa a fingir um namoro com Peter Kavinsky, que foi o primeiro garoto a beijá-la e que agora era simplesmente um dos garotos mais playboys da escola. Para isso, ela precisa lidar com Gen, ex-namorada de Peter, que é super popular e linda. 
O livro é super legal, porque Lara Jean nunca teve um namorado e vive uma vida super normal. Ela não tem muitos amigos, é tímida e precisa lidar com a falta da irmã. É tudo novo para ela: O fato de ter um namorado, ter que tomar a responsabilidade da casa, estar com as pessoas populares da escola e tal. Sinceramente esse livro passou voando. Sem contar que eu trouxe ele pra Áustria justamente porque achei que era só um e agora descubro que tem continuação!!! Vou ter que ler em inglês ($orry, mom).
Enfim, esse livro é beeeeem tranquilo e a história é fácil, mas estou morrendo pela continuação. Livros assim são legais. Admiro quem consegue escrever de uma maneira que livros grandes pareçam um texto de uma página.
Anyway, recomendo. Abaixo coloquei algumas frases, como de costume. Au revoir!


"- Eu estou bem - garante ela. Mas não está, eu sei que não."

"Nunca vi Margot perder a coragem antes, mas acho que, nas questões do coração, não dá para prever como uma pessoa vai se comportar."

"Chris não é o tipo de amiga com quem se conversa todas as noites ou almoça todos os dias. Ela é como um gato de rua, vem e vai quando quer. Não fica presa a um lugar ou uma pessoa."

"Ela está chorando.
Margot nunca chora.
Agora que vi Margot chorar por ele, acredito mais do que nunca: ainda não acabou."

"Apesar de Margot não ser uma pessoa barulhenta, a casa parece silenciosa demais. Vazia, de alguma forma."

"Eu me pergunto como é ter tanto poder sobre alguém. Acho que não quero isso; é muita responsabilidade ter o coração de uma pessoa nas mãos."

"Meu primeiro beijo era para ser especial. Já li sobre esse tipo de coisa, sobre como é para ser a sensação: fogos de artifício e faíscas e o som de ondas quebrando nos seus ouvidos. Eu não senti nada disso. Graças a você, foi tão "não especial" quanto um beijo pode ser."

"Muitas pessoas são bonitas. Isso não as torna interessantes, intrigantes ou legais."

"A forma como tudo acontece é um tipo estranho de serendipidade. Como um desastre de trem em câmera lenta. Para que uma coisa dê errado de um jeito tão colossal e terrível, tudo precisa acontecer na ordem certa e no momento certo, ou, nesse caso, no momento errado."

"Ele é Peter Kavinsky, caramba. Kavinsky de "Gen e Kavinsky". Não importa que eles tenham terminado. Eles são uma instituição nesta instituição." 

"Sinto tanta falta dela. Nada é o mesmo sem minha irmã."

"- Fale baixo, pateta - resmunga ele.
- Não me chame de pateta, pateta."

"Fico tentando bloquear a lembrança, mas ela não para de voltar."

"- Acredito que relacionamentos não se resumem à parte física. Há várias formas de mostrar que você gosta de alguém sem usar os lábios. - Peter está sorrindo e parece prestes a fazer uma piadinha, então acrescento rapidamente: - Ou qualquer outra parte do corpo.
Ele resmunga.
- Você tem que me dar alguma coisa para trabalhar, Lara Jean. Tenho uma reputação. Nenhum dos meus amigos vai acreditar que de repente virei um padre para namorar você. Posso pelo menos botar a mão no bolso de trás da sua calça? Vai ser puramente profissional, prometo."

"A questão é que... eu nunca tive namorado. Nunca saí com um garoto, nem andei de mãos dadas pelo corredor. Isso tudo é novidade para mim, então peço desculpas pela testa hoje de manhã. Eu só... queria que todas essas coisas estivessem acontecendo pela primeira vez de verdade, e não com você."

"Se houver biscoito sabor chocolate com menta em casa, pode esquecer. Papai é o monstro dos biscoitos de chocolate com menta."

"Nunca tive um garoto pagando coisas para mim. Eu poderia me acostumar com esse tratamento."

"- Na verdade, você parece muito a minha avó - diz Peter. - Odeia todo e qualquer tipo de palavrão. Gosta de fazer bolos. Fica em casa nas noites de sexta. Uau, estou namorando minha avó. Que nojo."

"Você sabia que, quando as pessoas brigam, isso quer dizer que ainda gostam uma da outra?"

"- Então, você vai ou não?
- Ou não."

"Não consigo nem olhar para ele. Por que Peter é tão burro? Por que ela o controla tanto? É por causa de todo o tempo que eles passaram juntos? É o sexo? Não entendo. É decepcionante a falta de autocontrole que os garotos têm."

"Ele não sabe, mas, quando fala de Genevieve, seu rosto fica mais suave. Uma mistura de carinho com impaciência. E outra coisa. Amor."

"Eu queria nunca mais ter que responder a pergunta: "De quem você está fantasiada?"."

"Como posso saber o que é real e o que não é? Parece que sou a única que não sabe a diferença."

"Por que é tão difícil dizer não para ele? É essa a sensação de estar apaixonada por alguém?"

"- Quer ouvir uma coisa engraçada?
- O quê?
- Acho que comecei a gostar de você."

"- Não tenho medo de nada.
- Até parece. Você prefere criar uma versão idealizada de alguém na sua mente a ficar com a pessoa de verdade."

"Meu coração está disparado, e é difícil olhar nos olhos dele. Nunca senti tanto medo na vida."

"Não é justo com as garotas. As coisas são fáceis para os garotos."

"Por volta das três da manhã, jogo fora os bilhetes dele. Apago a foto de Peter do meu celular; apago o número. Imagino que, se eu o apagar o bastante, vai ser como se nada tivesse acontecido, e meu coração não vai doer tanto."

"Você não faz ideia do poder que tem sobre mim. Do quanto sua opinião é importante. Do quanto eu admiro você."

"É Ano Novo, afinal. A noite dos recomeços."

"O amor é assustador; ele se transforma; ele murcha. Faz parte do risco. Não quero mais ter medo."

domingo, 20 de dezembro de 2015

Déjà vu


No final do dia eu preciso me lembrar de que eu não sou essa pessoa que chora. Te abraço, afundo a cara no seu moletom e obrigo as lágrimas a voltarem. Você engole em seco e sei que está fazendo o mesmo, mas eu digo: “Agora vá”. Você volta uma ou duas vezes e até resiste um pouco antes da porta do trem fechar, mas eu viro as costas. Mal consigo enxergar meus pés, mas saio da plataforma.
Dizem que a gente deve ser forte. Amor é assunto pra depois e esse olhar que você me dá é coisa de gente grande. Pois é, então finjo que não me afeta em nada. É que eu realmente não vou sair correndo e pular direto em seus braços. Depois de alguns tropeções a gente acaba ficando meio egoísta. Um pouco como nossos pais: “Seu futuro primeiro!”. Eu sei, pai, eu sei.
Acontece que amando você eu não me sinto mais sozinha. Atravesso o escuro cantando, sem imaginar fantasmas. Não me importo com a espera, afinal pensar em todas as suas pintas leva muito tempo. Quando não vem o sono, pego o relógio e sorrio, porque são quatro da manhã, mas eu ainda tenho você.
Talvez esse seja o x da equação. Esse amor é meu, sabe? Eu não vou ser egoísta, não vou prender você, nem preciso que todo mundo saiba. Eu quero essa sensação só pra mim. Fechar os olhos e lembrar de quando você esquece os olhos em mim. Essa sensação de amor que a gente sente e passa a falar baixo, ouvir com paciência e sorrir com delicadeza. Essa sensação de que em meio a tanta guerra e luxúria, o que importa é você.
Todavia dizem que devo ter cuidado. Calma, eu sei! Você chegou sem aviso prévio e quem sabe o que vai ser? Pode ser que acabe hoje, semana que vem ou nunca mais. A única certeza que eu tenho é que sim, você vai me machucar. O coração não pede licença pra amar e criar expectativas, por isso só posso amenizar os danos. Me desculpem, mas de teoria em teoria, o mundo continua uma merda e pode ser que façam manuais e livros de autoajuda sobre como não esperar nada de ninguém, mas a gente espera e a gente sonha. Então, por favor, só mais um segundo de loucura, porque essa lembrança é minha.
E eu te agradeço. Agradeço por esse amor ser tão real e, ao mesmo tempo, beirar à insanidade. Agradeço, porque você me engrandece. Para mim isso basta e não tenho pressa. Não quero correr e ir até a última página só pra ver como acaba. Algumas coisas vêm e vão, e a gente passa a ser mais feliz quando entende isso.
Enquanto penso na gente rindo no banquinho daquela praça, eu fecho os olhos e desejo. Enquanto você me ocupa da cabeça aos pés, eu rezo baixinho pra que pelo menos uma pontinha dos meus sonhos sejam, na verdade, déjà vus. Amém.