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terça-feira, 30 de junho de 2015

Corrosivo


A felicidade com você é muito breve. Sempre tive aquela pulga me incomodando atrás da orelha – ou do sorriso. Te amar é estar numa montanha-russa. Têm-se picos de alegria e abismos de tristeza. Sei que a vida não é tão imensa quanto nossa intensidade, e partiremos nos perguntando o que foi maior: os sorrisos ou as lágrimas. Mas, é claro, vamos acabar percebendo que a nossa maior especialidade é a saudade.
É sempre perigoso sentir vontade de voltar. O amor deixa esse gosto excitante de adrenalina. No entanto, tudo em você é químico. Te amar é ácido, corrosivo. Esqueço meus olhos em cima dos seus, e me perco em suas maravilhosas falhas genéticas. É incrível mergulhar no teu mar azul-celeste, enquanto você espalha pedaços de mim pelo mundo. Sinto-me não mais que um projeto. Meus sonhos e virtudes jogados no chão da sala.
Me viciei em você e em suas doses baratas de esperança. Seu amor é de plástico. Suas promessas, tão singelas e frágeis, são carruagens que se transformam em abóboras após a meia-noite. É lindo perder o controle quando você chega, mas o vento diz: “Falsa felicidade, menina”.
Você suga o melhor de mim. Eu permito e aprecio. Seus beijos me arrancam arrepios de medo. Eu costumava ser doce. Seu amor me quebrou em milhões de pedaços. Meu coração: um mero pedaço de vidro. Em meio aos gritos silenciosos, continuo te amando. Seu cheiro acorda as borboletas em meu estômago. Elas gritam, agoniam, debatem. Batem as asas por um amor danificado.
Sei que é só consequência da minha teimosia. Joguei fora toda a minha responsabilidade. Tento fugir, mas tua pele me afoga. Seus cabelos seguram as minhas pernas. Te amar é dolorido. É louco. É um solo de guitarra e o grito do saxofone. É o açúcar e a droga. É complexo e eterno. É inevitável. 

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Pra te acompanhar


O mundo girou mais uma vez, talvez a última. Quando te vi ali em pé, me olhando, sua boca formava palavras que não saíam. Seus braços me enroscavam, e me giravam. E você me agarrava com suas pernas e ouvidos. Eu olhava para baixo, para o finalzinho da minha saia. Minhas mãos nem insistiam em lutar contra você. Seus dedos abraçaram os meus, desesperados. Te olhar doía tanto quanto uma porrada. Meu rosto e meu corpo preenchidos pelos hematomas da dor de perder você. Um sentimento tão desmedido e louco, que eu poderia usar todas as variações, gírias e línguas para descrever o sofrimento, e ainda assim você não entenderia.
Eu estava nas nuvens. Uma dose a mais, por favor. Coragem de viver como nunca. Amor inconsequente. Nossas estrelas que nos assistiam. O desespero de matar a sede. Seus cabelos que lambiam minhas mãos. Seu cheiro invadindo meus bronquíolos, veias e capilares. Minha alma se deleitava. Os olhos adormecidos. Lábios que se misturavam num beijo que Hollywood jamais copiara.
Lágrimas que vinham uma após a outra. Palavras que se atropelavam. Seus olhos procurando os meus, preocupados. Um coração partido que amou você com cada caco.
Horas que se passaram como milésimos de segundos. A fome de você que não podia esperar. Estive lá em minha forma mais pura. Só você me conhece na carne viva. Me entreguei de bandeja, sem te poupar de cada medo e dor. Antes que os pássaros cantassem e a realidade nos atingisse em cheio. Antes que nosso paraíso denso se transformasse outra vez em seus olhares cheios de significados abstratos.
Toda a dor que me causou e a pessoa que eu sou: Coloco em segundo lugar, deixo para depois, para te acompanhar. Fiz com que a Terra parasse de girar. O sol brilhou bem dentro de nós dois. Quando você se levantasse com aquela maldita jaqueta em mãos, eu saberia que havia chegado a hora de me despedir. Há sempre uma hora em que você me deixa. Suas promessas ecoam em minha mente, e me perseguem com aromas e arrepios. Quando você me deixa sozinha na sala de estar, a dor é insuportável. Seu lugar ao meu lado no sofá, completamente vazio.
Mas em mim há uma parte de você que insiste em ficar. Você chega e bagunça tudo. Só você. Quem sabe um dia você escolha ficar. 

domingo, 17 de maio de 2015

Suas palavras


01:01. Horas iguais para denunciar que estou pensando em você. Olho para a tela do celular. “Ainda pensando em ti”. Lágrimas desesperadas rolam pelas minhas bochechas e molham as letras do ingresso daquele show. Quinta-feira chuvosa e um solo de guitarra que eu nunca ouvi. Ainda me lembro de desaparecer com você no meio da noite.
Você quis ser as minhas hastes, me segurando e me empurrando para cima. Era lindo ouvir suas juras de amor, por mais que elas não bastassem. Quem dera você tivesse aparecido num momento mais propício, mas meu coração já não quer mais ser tão criança. Lamento dizer tudo o que digo e pensar tudo o que penso. Logo eu que adorava tanto brincar de acreditar no lado bom das pessoas e de consertar o lado ruim de cada uma delas! Eu falhei, meu bem. O mal sempre vence, ou será que o mal sou eu?
Não sei mais quem eu sou, para falar a verdade, e o tempo todo essa nova definição minha vai de encontro com a definição que você me deu. Eu amo quem eu sou contigo. Eu amo quando você fala de pureza, esperança e serenidade, quando eu já nem sei o que são essas coisas. Você facilita demais, enquanto eu corro na direção contrária.
Quero parar de brincar de ser gente grande, mas nosso esconde-esconde sempre tem hora pra acabar. Quero ser inconsequente e conseguir me expressar, mas minhas letras estão soterradas pelos meus próprios escombros. Eu sou só saudade, e queria me convencer de que sou assim tão sortuda, mas só me passa pela cabeça que um dia nós vamos ser só mais outro motivo pra eu chorar.
Quero te contar meus segredos, te ver rir, gargalhar. Quero rir dos seus ciúmes e fugir dos seus beijos, só pra te atiçar. Quero que você me esconda da chuva embaixo de um beiral e que diga que me ama quando ela passar. Quero brigar com você e não resistir a esse sorriso de lado.
Só que o que eu mais quero é acreditar. É te olhar nos olhos como um adolescente apaixonado e correr pra você toda vez que eu tropeçar. É te dar as mãos sem pretender soltar.
Eu vou me enganar pela milésima vez, como quem não deseja ficar. Vou continuar escrevendo meias palavras, ao invés de derramar meus sentimentos sobre uma folha de papel – e sobre você. É preferível fugir, que pagar um preço tão alto outra vez.
E que você seja recompensado pelas vezes que me pediu para ficar. Que o seu coração se encha de ternura e nunca tenda a se congelar. Que nossa rua seja sempre nossa na imensidão do mundo e seus milhares de átomos. Que para cada vez que eu desacreditar, você se alimente com uma dose de esperança.
Que um dia você me diga outra vez que o amor pode mudar o mundo. E que dessa vez eu acredite.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Se não for pedir muito


Pra falar a verdade, acho que você não se importa. Seus conselhos já não parecem desesperados, mas cansados. É como se, para você, eu já fosse uma espécie de causa perdida.
Você é quem sempre dizia para seguir em frente e não desistir! Só que você se acostumou aos ventos desfavoráveis, meu amor. Antes a gente achava tão linda essa persistência, mas agora sonhar com um futuro para nós dois parece simplesmente tolice.
Se não posso acreditar em você, então sou incapaz de acreditar em quase tudo. Parece que a espera é regada de ternura até certo ponto e depois dele o coração ferve, corre, incendeia. Nunca precisei tanto como preciso agora.
Crescer é difícil. Crescer sem um amigo é mil vezes pior. Estando com 18 ou 80 anos, a vida dá passos instáveis e a gente ganha ou perde traços de personalidade. Não se afaste agora – nem nunca, se não for pedir muito. Já não sei o que é o amor, então não tire a minha última referência. Viver de coração vazio é suicídio - não que o amor também não seja, mas por este crime eu aceito ser julgada.
Seja ríspido caso não se importe. Abra mão de mim, mas abra sem rodeios. Peça um tempo se o problema for temporário. Vá e volte, se for preciso. Volte a tempo e enquanto há tempo.
Na lista dos meus sonhos, você compõe a melhor parte. Não é de sangue, mas é família. Não perca a parte em que a gente corta juntos um pedaço do bolo. Nem aquela em que eu descubro que um dia me perdi, mas que junto a ti me encontrei de novo. Você é o equilíbrio de tudo. É clichê, mas eu não me importo de dizer que sem você eu não seria nada.