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domingo, 17 de maio de 2015

Suas palavras


01:01. Horas iguais para denunciar que estou pensando em você. Olho para a tela do celular. “Ainda pensando em ti”. Lágrimas desesperadas rolam pelas minhas bochechas e molham as letras do ingresso daquele show. Quinta-feira chuvosa e um solo de guitarra que eu nunca ouvi. Ainda me lembro de desaparecer com você no meio da noite.
Você quis ser as minhas hastes, me segurando e me empurrando para cima. Era lindo ouvir suas juras de amor, por mais que elas não bastassem. Quem dera você tivesse aparecido num momento mais propício, mas meu coração já não quer mais ser tão criança. Lamento dizer tudo o que digo e pensar tudo o que penso. Logo eu que adorava tanto brincar de acreditar no lado bom das pessoas e de consertar o lado ruim de cada uma delas! Eu falhei, meu bem. O mal sempre vence, ou será que o mal sou eu?
Não sei mais quem eu sou, para falar a verdade, e o tempo todo essa nova definição minha vai de encontro com a definição que você me deu. Eu amo quem eu sou contigo. Eu amo quando você fala de pureza, esperança e serenidade, quando eu já nem sei o que são essas coisas. Você facilita demais, enquanto eu corro na direção contrária.
Quero parar de brincar de ser gente grande, mas nosso esconde-esconde sempre tem hora pra acabar. Quero ser inconsequente e conseguir me expressar, mas minhas letras estão soterradas pelos meus próprios escombros. Eu sou só saudade, e queria me convencer de que sou assim tão sortuda, mas só me passa pela cabeça que um dia nós vamos ser só mais outro motivo pra eu chorar.
Quero te contar meus segredos, te ver rir, gargalhar. Quero rir dos seus ciúmes e fugir dos seus beijos, só pra te atiçar. Quero que você me esconda da chuva embaixo de um beiral e que diga que me ama quando ela passar. Quero brigar com você e não resistir a esse sorriso de lado.
Só que o que eu mais quero é acreditar. É te olhar nos olhos como um adolescente apaixonado e correr pra você toda vez que eu tropeçar. É te dar as mãos sem pretender soltar.
Eu vou me enganar pela milésima vez, como quem não deseja ficar. Vou continuar escrevendo meias palavras, ao invés de derramar meus sentimentos sobre uma folha de papel – e sobre você. É preferível fugir, que pagar um preço tão alto outra vez.
E que você seja recompensado pelas vezes que me pediu para ficar. Que o seu coração se encha de ternura e nunca tenda a se congelar. Que nossa rua seja sempre nossa na imensidão do mundo e seus milhares de átomos. Que para cada vez que eu desacreditar, você se alimente com uma dose de esperança.
Que um dia você me diga outra vez que o amor pode mudar o mundo. E que dessa vez eu acredite.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Se não for pedir muito


Pra falar a verdade, acho que você não se importa. Seus conselhos já não parecem desesperados, mas cansados. É como se, para você, eu já fosse uma espécie de causa perdida.
Você é quem sempre dizia para seguir em frente e não desistir! Só que você se acostumou aos ventos desfavoráveis, meu amor. Antes a gente achava tão linda essa persistência, mas agora sonhar com um futuro para nós dois parece simplesmente tolice.
Se não posso acreditar em você, então sou incapaz de acreditar em quase tudo. Parece que a espera é regada de ternura até certo ponto e depois dele o coração ferve, corre, incendeia. Nunca precisei tanto como preciso agora.
Crescer é difícil. Crescer sem um amigo é mil vezes pior. Estando com 18 ou 80 anos, a vida dá passos instáveis e a gente ganha ou perde traços de personalidade. Não se afaste agora – nem nunca, se não for pedir muito. Já não sei o que é o amor, então não tire a minha última referência. Viver de coração vazio é suicídio - não que o amor também não seja, mas por este crime eu aceito ser julgada.
Seja ríspido caso não se importe. Abra mão de mim, mas abra sem rodeios. Peça um tempo se o problema for temporário. Vá e volte, se for preciso. Volte a tempo e enquanto há tempo.
Na lista dos meus sonhos, você compõe a melhor parte. Não é de sangue, mas é família. Não perca a parte em que a gente corta juntos um pedaço do bolo. Nem aquela em que eu descubro que um dia me perdi, mas que junto a ti me encontrei de novo. Você é o equilíbrio de tudo. É clichê, mas eu não me importo de dizer que sem você eu não seria nada.

domingo, 26 de abril de 2015

Bronzear


Vou fingir que não sonhei com você na noite passada e que não estou sempre ansiando a sua chegada. Vou fingir que tudo bem, não importa.
Só que a verdade é que importa. Penso tanto em você que é como se estivéssemos o tempo todo juntos. E quando você diz para que eu escreva sobre algo positivo, meu bem, eu não consigo. O que tem de positivo em sentir saudade? Dizem que o amor é paciente, então que não mostrem os bastidores quando for a hora.
Dia desses perguntaram-me sobre meu lar e entendi, sem querer, que é ali, no seu quarteirão, onde a gente se encontra para conversar. Onde você me conta sobre suas aventuras e eu escuto, embora quisesse tanto ser o motivo desses teus risos fáceis. Dia desses percebi que tenho vivido fora da minha realidade, buscando respostas para as perguntas que você faz. Percebi que tenho navegado sempre em direção aos seus olhos. Quero ser teu náufrago, se preciso for – contanto que me deixe ficar mais um pouco.
Mentir para mim mesmo já não é mais viável. Devo ter enlouquecido ou talvez você seja mesmo o pôr do sol do qual todos falam. Quem me dera ter um sol como você ao acordar. Que me bronzeie com a sua doçura.
Quem sabe a solução? Sinto-me completamente indefeso diante de ti. Só se faz um poema se tiver um pouquinho de dor, meu amor. Já decifrei tua loirice em milhares de versos. Vem, e me namora. 

terça-feira, 21 de abril de 2015

Tutti Frutti


Tutti fruti bagunça o meu estômago. Ainda não descobri se tenho repúdio ou total simpatia pelo aroma. O fato é que eu ainda me lembro do sorriso que se formava em seu rosto e daquela doçura me levando como as ondas do mar. Obviamente fantasiei demais. É notável que jamais tive vocação para encontrar o mal nas pessoas – embora, de alguma forma, ele sempre esteja fadado a vir à tona.
Para dizer a verdade, nunca fui de fazer essas análises pessoais. Sempre quis melhorar como pessoa a todo custo, mas o tempo para mim sempre foi muito precioso. Sempre correndo demais, tropecei. De tanto me enganar acabei sozinha. Perdi pedaços de mim pelo caminho. As costumeiras fantasias, por exemplo. Aquele pedaço menina do qual tanto se fala. Quem sou eu para falar agora? No mínimo, abrigo um coração desfalcado.
No entanto, como boa contadora de histórias, minha memória quanto a você nunca enfraquece. Dia desses senti seu perfume enquanto via a paisagem passar pela janela do ônibus. É como um caleidoscópio quando fecho os olhos e me vem à tona o seu rosto iluminado pela fraca luz dos postes. Seu cheiro de Tutti Frutti me atinge como um soco no estômago. Embriagante, como se tirasse o controle dos meus pés, que, àquela altura, já não me obedeciam.
Contei a você sobre como havia chegado até ali. Você até ria quando eu contava do cemitério de amores e me oferecia mais um chiclete. Eu achava inebriante o seu efeito sobre mim. Aquela mania de abraçar meus ombros para me abrigar em ti e a vivacidade do seu sentimento, como se esbanjasse juventude.
Só que precisei ir. Deixar você e todas as promessas que jurei cumprir. Jamais ouviria outra nota do seu violão ou veria, outra vez, seus olhos verde-água iluminados pelo sol da manhã. Foi em nome do passado e da bagunça que você causava em mim. Eu não queria recompor meu coração para receber você de braços abertos. Meu reino não teria orçamentos para construir um castelo que pouco tempo depois seria destruído.
Me desculpe. Não é como se eu não lembrasse do frio de Agosto. Ainda sinto a lã do seu cachecol sob meus dedos. Ainda sinto, todos os dias, o aroma adocicado do seu amor. Esse é o castigo de quando a gente se deixa cativar: a nostalgia. Dizem que não é amor se a gente não lutar, mas eu digo: é amor quando é preciso lutar contra si mesmo. Perdoe-me a sensatez e a tentativa de viver sem amor. Chame de covardia, mas é só medo de pensar, pela milésima vez, que alguém possa me querer também.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Na Estante: O Pequeno Príncipe


Oi! Dessa vez eu voltei com um livro que todo mundo já deve ter lido ou, no mínimo, ouvido falar. O Pequeno Príncipe é um clássico nas estantes do mundo inteiro.
Pois é, eu resolvi ler de novo, já que, na última vez que li, eu estava bem mais nova. O interessante é que a leitura ficou completamente diferente e eu consegui entender várias coisas que antes passavam despercebidas. A leitura ficou até um pouco melancólica, pra falar a verdade.
Minha irmã também leu esse livro esse ano e disse que é divertido, mas que não entendeu um monte de coisas (ela tem 12 anos). Então eu acho que, apesar da abordagem infantil, eu recomendaria mil vezes mais aos adultos. Acho que ele recupera um lado encantador da nossa alma, fazendo a gente enxergar melhor as coisas simples e belas da vida e das pessoas.
Portanto, foi uma leitura maravilhosa. É um livro simples e positivo. Pelo quantidade de páginas calcula-se que pode ser lido em algumas horas, mas as palavras cheias de sabedoria são perfeitamente capazes de prender um leitor por uma vida inteira.


"As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, ficar toda hora explicando..."

"As crianças têm que ter muita paciência com as pessoas grandes."

"É triste esquecer um amigo."

"É preciso que nos habituemos a arrancar regularmente os baobás logo que se diferenciem das roseiras, com as quais muito se parecem quando pequenos."

"Quando a gente está muito triste, gosta de admirar o pôr do sol..."

"Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para fazê-lo feliz quando a contempla."

"Deveria tê-la julgado por seus atos, não pelas palavras. Ela exalava perfume e me alegrava... Não podia jamais tê-la abandonado. Deveria ter percebido sua ternura por trás daquelas tolas mentiras. As flores são tão contraditórias! Mas eu era jovem demais para saber amá-la."

"É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas."

"É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar."

"É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros."

"Os vaidosos só ouvem os elogios."

"Nunca estamos contentes onde estamos."

"Só as crianças sabem o que procuram."

"A água pode também ser boa para o coração."

"- Os homens - disse o pequeno príncipe - embarcam nos trens, mas já não sabem mais o que procuram."

"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar..."

"Ele era para mim como uma fonte no deserto."

"A gente só conhece bem as coisas que cativou."

"Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz."

"O essencial é invisível aos olhos."

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."