quinta-feira, 30 de junho de 2016

Na Estante: Como eu era antes de você


Oi, gente! Voltei depois de anos sem postar - principalmente resenhas. Li esse livro há um tempão, mas nunca tenho tempo suficiente para atualizar minha vida virtual (HAHAHA). Sério, atualizar o Youtube e o blog são duas missões impossíveis. Sei que poderia estar utilizando meu intercâmbio pra muito post e vídeo legal, mas tá bom, estou vivendo bastante.
Anyway, lembrei que tinha esquecido desse livro quando vi o pôster do filme no cinema. Quase morri!!! Pra variar eu odiei o começo do livro (como sempre), mas decidi prosseguir (como sempre) e acabei me apaixonando (como sempre). É uma história realmente bonita e que veio pra quebrar paradigmas. Só a Jojo Moyes pra colocar um tema tão delicado e importante na literatura juvenil.
 A Lou é uma pessoa muito simples, que está contente com a vida que tem. De repente desempregada, ela resolve aceitar uma oferta improvável: Cuidar de um tetraplégico. 
Will, de família rica e popular, um dia foi uma pessoa extremamente ativa: gostava de esportes, de viagens e tinha sempre as mulheres mais bonitas ao seu lado. Após o acidente de motocicleta se tornou uma pessoa amarga e de difícil convivência. Como entender? Como tentar fazê-lo sorrir?
Esse livro realmente vale a pena ser lido. Faz a gente entender a pessoa que está nessa situação: a saudade da vida antiga, a sensação de incapacidade, as dificuldades pra sair de casa, o olhar de pena das pessoas... É bem forte, mas também bonito o esforço dela para fazê-lo sorrir, o quanto ela se adapta e aprende. Meu Deus, preciso ver esse filme!!!
O final foi um pouco forte, pra ser sincera. Não vou dar spoiler, mas me deixou um pouco confusa, sem saber o que pensar - e até hoje não sei definir se foi certo ou errado. Enfim, leiam pra saber do que eu estou falando (HAHAHA). Espero que gostem!


"Não imaginei que, além dos medos óbvios sobre dinheiro e futuro, perder o emprego fizesse a pessoa se sentir inadequada e um pouco inútil."

"Ele possuía a habilidade de distorcer quase todas as minhas palavras ou ações, me fazendo parecer uma idiota."

"Nunca fui muito boa em esconder meus sentimentos."

"Ser atirada para dentro de uma vida totalmente diferente - ou, pelo menos, jogada com tanta força na vida de outra pessoa a ponto de parecer bater com a cara na janela dela - obriga a repensar sua ideia a respeito de quem você é. Ou sobre como os outros o veem."

"Há coisas que você não percebe até acompanhar uma pessoa numa cadeira de rodas. Uma delas é como a maioria dos calçamentos é malconservada, com buracos mal remendados ou desnivelada. Andando devagar ao lado de Will enquanto ele mesmo dirigia a cadeira, notei que cada laje em desnível causava nele uma dolorosa chacoalhada, ou como ele frequentemente precisava se desviar com cuidado de algum obstáculo em potencial."

"Dizem que só é possível se admirar um jardim depois de certa idade, e acho que existe alguma verdade nisso. Provavelmente tem algo a ver com o grande ciclo da vida. Parece que há algo de miraculoso em ver o inexorável otimismo de um novo broto após a desolação do inverno, uma espécie de alegria na diversidade a cada ano, a forma como a natureza escolhe mostrar diferentes partes do jardim."

"A mãe enxerga todas as pessoas que o filho já foi ao longo da vida reunidas em uma só."

"Na nossa rua, se você entra num carro de luxo significa que conquistou um jogador de futebol ou está sendo preso por policiais à paisana." 

"-Você é uma grande esnobe, Clark.
- Eeeeu?
- Você recusa várias coisas porque acha que "não é esse tipo de pessoa."
- Mas não sou mesmo.
- Como sabe? Você não fez nada, não foi a lugar algum. Como sabe que tipo de pessoa você é?"

"- Meu Deus, você é um saco.
- Você diz isso o tempo todo."

"- Quero... ser apenas um homem que foi a um concerto com uma garota de vestido vermelho. Só por mais alguns minutos."

"Ela estava rígida de preocupação. Senti uma repentina onda de afeto por ela. Não devia ser fácil ser minha mãe."

"Só algumas semanas longe de casa podiam acabar com a familiaridade de alguém."

"É isso que dá morar em cidade pequena. Todo mundo sabe da sua vida."

"- Mesmo quando eu era adolescente, meu pai jamais me deixaria sair com um homem mais velho.
- Nem se ele tivesse seu próprio castelo?
- Bom, isso poderia mudar as coisas, obviamente."

"Eram todos altos e discretos, em ternos de cores neutras. Mexi no cabelo, pensando se havia exagerado no batom. Tinha a impressão de estar parecendo um daqueles potes vermelhos de ketchup."

"Vi-a flutuar pela nave da igreja e imaginei como seria ser alta, ter pernas compridas e parecer com alguém que a maior parte de nós só vê em comerciais. Imaginei se o cabelo e a maquilagem dela tinham sido feitos por uma equipe de profissionais. E se ela estaria usando uma calcinha modeladora. Claro que não. Devia usar coisinhas rendadas em tons suaves - lingeries femininas para quem não precisa levantar nenhuma parte do corpo e que custam mais que o meu salário semanal."

"Não consigo nem descrever como me senti melhor após ver a maneira como aquelas pessoas elegantes dançavam. Os homens pareciam ter levado um choque elétrico, as mulheres apontavam o indicador para o alto e pareciam muito arrogantes até quando rodopiavam."

"Pensei, por um instante, que nunca mais me sentiria tão intensamente conectada ao mundo, a outro ser humano, como naquele momento."

"Eu não queria voltar. Pensei que poderia nunca mais voltar. Ali, Will e eu estávamos seguros, trancados no nosso pequeno paraíso. Toda vez que eu pensava em voltar para a Inglaterra, a grande garra do medo prendia meu estômago e começava a apertá-lo bem forte."

"Só sei dizer que você me transformou... numa pessoa que eu nem imaginava. Você me faz feliz, mesmo quando é horroroso."

"É sempre estranho ser arrancada de sua zona de conforto."

"Não estou lhe dizendo para saltar de prédios altos, nadar com baleias ou algo assim (embora, no fundo, gostaria que você fizesse essas coisas), mas para viver corajosamente. Ir em frente. Não se acomodar."

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Em algum lugar


Estou cansada de ficar longe de você. O tempo todo penso que talvez eu possa estar fazendo algo errado. Tomo todo o cuidado do mundo para não te sufocar, só para depois não pensar que ter te perdido foi culpa minha. Quando tomo distância, pela milésima vez, você diz que ficou no escuro.
É que eu não gosto do permanente, nem de me acostumar com nada. As coisas que amei foram levadas pelo tempo, mas você sempre fica. Mudam as estações, eu até corro com as flores da primavera, mas o verão chega e você sorri trazendo o sol com a sua juba loira. Eu decidi, mesmo sem saber, que quero ficar.
De todas as coisas que quero na vida e esses desejos rápidos de sair por aí sem volta, ainda é para você que quero voltar. Você é meu sonho de menina, aquela vontade boba de casar de branco. Claro que eu jamais admitiria e continuo voando mil milhas só pra ver se o amor passa tão rápido quanto um resfriado. A cada vez que ponho os pés em terra firme penso em como esse mundo é grande – e as pessoas são tão leves quantos penas quando o vento da vida passa. Mesmo que nossas preces muitas vezes sejam como sopros no infinito do universo, ainda desejo que você possa ser aquela parte que dá certo na vida da gente, aquela história que a gente conta para os nossos filhos e morre de rir, mesmo sabendo que a vida foi generosa.
Talvez, somente talvez, o amor pudesse escolher ser mágico e grande. Uma história que não acabe em depressão ou divórcio, mas que simplesmente não acabe. Espero aqui, sempre paciente. Dizem que a gente não sabe nada da vida,  mas eu só quero saber o seu telefone. Às duas da tarde, em algum lugar. Talvez até demore, mas eu vou ligar.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Orgulho


Eu não consigo entender como as pessoas se perdem por causa do orgulho. Deixar de falar uma coisa ou outra talvez seja mais ou menos bobagem. Não é sempre que a gente se lembra do quanto ama a pessoa que está ao nosso lado. Infelizmente a raiva atira certinho no alvo e nos cega em questão de segundos. O que dizer então de pessoas que se perdem por uma vida inteira?
Conheço casais que foram casais por muito tempo. Para mim sempre pareceu meio louco ver um casal terminando depois de anos juntos. É que é uma coisa tão fixa e certa, que a gente acaba enxergando os dois como um só. O término de um casal de longa-duração incomoda tanto quanto trocar de carteira. Sabe quando você compra uma carteira nova e até o fecho dela te incomoda por não ser igual à antiga? A gente tem dessas coisas. Acho que alguns casais são como prisões invisíveis. É difícil sair do relacionamento, porque existe sempre um grande motivo e esse medo de sair da sua zona de conforto, mas quando finalmente chega ao fim é como abrir a janela depois de anos num quarto escuro. Algumas pesso as realmente se libertam e experimentam outros relacionamentos, viagens e até outro estilo. Admiro isso. Muitas vezes a gente acha que está melhor assim e até se acostuma com o que está errado.
Alguns casais foram feitos para acabar. Existem erros irreparáveis e caminhos sem volta. O importante é sair do ringue de cabeça erguida e aprender alguma coisa com isso. Ponto final. Não se mate tentando entender onde foi que errou e blá blá blá. Às vezes a gente presta atenção aos sinais errados e vê só aqueles que a gente quer ver.
Só que muitas vezes a gente erra também. Também acredito que existam pessoas que foram feitas para ficar juntas. Muitas vezes a gente confunde esse amor com outro qualquer. A gente termina e vai embora. Talvez por medo e, na maioria das vezes, por orgulho.
Porque, apesar de tudo, conheço casais que acabaram, mas que nunca deixaram de existir. O fim dos dois limita, ao invés de libertar. Eles começam a ir a falhar. Mesmo que o sucesso venha, falta algo. Mesmo que eles se casem e tenham filhos, falta felicidade. É um buraco vazio, um sorriso meio torto. As pessoas preferem descartar ao invés de consertar. Quando foi que aplicaram a lei do capitalismo no amor?
Infelizmente o tempo passa muito rápido. Uma palavra não dita se transforma em uma vida inteira de noites mal dormidas. Você pensa que podia ter impedido ela de ir embora com um beijo, com um esforço, com um pouquinho de tempo. Talvez pudesse ter mudado um pouco o seu caráter, mas sempre achou que fosse só mais uma briga.
Quando um amor acaba por orgulho, perde-se uma vida inteira esperando. Nenhum dos dois pega o telefone e liga. Difícil pensar em tudo que os dois poderiam ter vivido, se não fosse essa maldita mania moderna de morrer com um “eu te amo” entalado na garganta.

domingo, 3 de abril de 2016

Meu melhor acaso


Eu me apaixonei por você. Tentei evitar e até coletar seus defeitos, mas sempre esqueci meus olhos nos seus. Enquanto a gente dormia no cinema, a coisa cresceu. Quando eu disse que entendia de futebol ou quando você chegou cedo demais e me viu cantando enquanto eu arrumava o meu cabelo. A gente ria sem perceber. Foi bem antes da gente se dar conta.
Não que eu não tenha me apaixonado antes. Na verdade tenho uma coleção de erros e amores que sou obrigada a esquecer. Menos você. Mesmo numa rua sem saída eu ainda vivo nosso primeiro beijo. Fecho os olhos e sou engolida por um milhão de luzes coloridas. A gente dançava de um jeito ridículo. Eu espero que você se lembre daqueles segundos que se arrastaram como séculos. A espera foi bonita. Meu coração quase parou enquanto eu calculava quantos centímetros existiam entre nossos lábios.
Não foi nada planejado, eu juro. Foi a chuva que caiu enquanto a gente caminhava em silêncio e a aula que terminou mais cedo quando pegamos o mesmo trem. Uma sequência infinita de acasos que eu preferi chamar de destino. Amar você é sentir um medo ridículo de não esquecer.
De todos os sonhos que eu já sonhei, nenhum é maior que o desejo de ficar. A gente se comunica com o olhar. Você me disse para esquecer, mas vai e volta. Nós dois achamos que podíamos escapar antes da hora. Espero que você também perca o sono. Meine Liebe, deixa eu dizer que te amo.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Disso eu sei


Você veio hoje, mesmo sabendo que poderia ter vindo antes. Me devia desculpas, mas sentou e entrelaçou os dedos, esperando que eu começasse a falar. Sinto te informar, mas eu normalmente não faço ou sou o que as pessoas esperam. Depois de minutos que passaram arrastando-se, você disse o que muitos pais e mães chamariam de “decisão correta”. Eu não engulo essa, me desculpe.
A gente sabe muito bem o que faz. A gente sabe direitinho que cada ação nossa tem uma reação. Beijos não são promessas, mas não aja como se o resto não fosse. Quando você me ligou ás duas da manhã para dizer que tem medo toda vez que algo bom acontece com você; quando você beijou a minha testa depois de me observar girando o anel de noivado dos meus pais no dedo; quando você disse todas as coisas pelas quais eu não estava esperando. Suas palavras decoradas, seu olhar me evitando e o tempo passava. Você sabia que o assunto estava terminado, mas não se foi. Nosso corpo se recusa a mentir sobre nossas emoções.
Se você quiser saber, eu chorei. Chorei com os olhos colados na janela de vidro da cozinha, esperando que seu carro aparecesse e estacionasse na minha garagem. Chorei por ter arrumado o meu cabelo e organizado coisas que você nem reparou. Eu não te culpo por não entender, mas eu não aceito menos que o que eu mereço. Por isso, eu levantei. Chore, mas certifique-se de que é a última vez que você vai chorar por esse motivo.
Amor é sobre deixar acontecer. Se preocupar um pouco é inevitável, mas se convencer de que é impossível é não ter fé naquilo que quer. Você pulou fora do barco quando percebeu que eu era mais forte. É que eu não vou sair correndo para os seus braços por um presente. Me desculpe, eu sou o tipo errado de garota.
Eu sou incapaz de passar a minha vida ao lado de uma pessoa que demora tanto para começar a viver. Você passa através dos seus dias, como se contasse os segundos para o momento em que possa finalmente estar em casa dormindo. Eu odeio dormir. Eu tomo meu café da manhã todos os dias em cima de um mapa-múndi. Eu abro o meu coração para toda e qualquer pessoa, porque cada uma delas é um livro. Eu não posso esperar por você.
Quando eu olho para trás, vejo essas ruas enormes preenchidas por um milhão de acasos que me levaram até você. Nós fomos um “quase”. Eu não quero um “quase” amor. Eu não quero alguém que me olhe com essa cara de preguiça. Eu quero um homem que grite quando for a hora de gritar, porque eu não suporto o silêncio. Eu quero um homem que seja corajoso o suficiente para pegar a minha mão e ir aonde eu for.
Você se foi assim, em silêncio, mesmo quando haviam tantas coisas a serem ditas. Não se preocupe, eu já comecei de novo. Posso parecer doce, mas sou amarga. Sou forte demais para você. Você ainda vai me ver tão bem que vai implorar para voltar. Disso eu sei.

sábado, 19 de março de 2016

Já é primavera


O inverno está chegando ao fim e essa é uma coisa maravilhosa sobre a Áustria, já que as estações são bem resolvidas. Isso quer dizer que quando a neve se vai, a natureza renasce. Vale a pena acordar ás sete da manhã só pra ver aquele primeiro raiozinho de sol que aquece e ilumina toda a casa. Sair para caminhar e perceber que por baixo daquela neve toda haviam flores.
Quero dizer, não que o Brasil não seja lindo. Sou sortuda por poder chamar o Brasil de lar, pois eu posso bater no peito e dizer que, na minha casa, a natureza é viva o ano todo. Talvez fosse necessário ver o inverno para valorizar o esforço da primavera. Brasil, eu vou voltar para casa e abraçar suas árvores e terras frutíferas.
Incrível como a gente aprende sozinho. A vida fez mais sentido quando eu aprendi a olhar um pouco para dentro. As melhores coisas que eu senti, eu senti em segredo e isso ninguém me tira. Algumas coisas são realmente engraçadas, porque hoje eu acordei pensando sobre microexpressões faciais e, após analisar milhares de rostos, corri para o espelho. Imediatamente me veio à cabeça aquela frase: “Os olhos são as janelas da alma”. Quando você analisa se um sorriso é falso ou verdadeiro, você analisa os músculos ao redor dos olhos. Talvez se a gente se olhasse nos olhos, a gente veria a tristeza nas pessoas que a gente diz amar.
Isso me levou automaticamente a pensar em uma coisa que eu disse anos atrás. Eu devia ter uns doze anos e era uma dessas conversas na sala de aula, quando a professora não está. As garotas fofocavam e eu estava terrivelmente entediada. De repente, eu interrompi a conversa e disse: “Talvez as pessoas que têm olhos escuros sejam mais difíceis de serem lidas”. Elas deram um segundo de atenção antes de voltarem aos seus assuntos, mas eu permaneci pensando que talvez fosse por isso que as pessoas dificilmente liam minha tristeza – e eu me sentia o tempo todo assim. Engraçado como meus olhos sempre foram como janelas fechadas.
Eu acredito que, em meio a tantos planetas, existe o meu. Lá não vivem muitas pessoas, mas as que vivem são muito amadas. Portanto, essas tais janelas são abertas para poucos – que são escolhidos a dedo! Cada pessoa é para mim um universo. Se eu te amo, eu provavelmente te analiso. Sei de cor os seus defeitos e não tenho vergonha de dizer na sua cara, porque eles não fazem de você menos humano. Essa minha mania de amar por inteiro é também um dos meus maiores desafios nessa vida, já que cada decepção me traz uma dor quase física. Algumas vezes a dor da decepção é tão grande que eu sinto meu peito vazio, como se meu coração tivesse desistido de bater.
É incrível como eu posso ser intensa, mas eu me pergunto porque precisei de tantos anos para compreender que eu não preciso que ninguém entenda. Me lembro de chorar sem motivo algum enquanto a família inteira estava feliz e celebrando. Me lembro de acordar em meu berço e olhar as estrelas no meio da noite. Me lembro de me sentir sempre sozinha, sempre falando bobagem, sempre a palhaça do circo. Foi necessário atravessar o oceano para entender que eu sou extremamente “para dentro” e me sentir bem em relação a isso. Quero dizer, tudo bem se ninguém repara nesses pequenos sinais da vida, mas eu sim – e vê se me deixa!
Já disse e repito: estar sozinho é se abraçar. Experimente pensar sem suas amarras. Quais são as coisas que você realmente quer? Quanto a isso, ninguém deveria estar no controle além de você.
Continuo me surpreendendo com as coisas que eu falo, faço e penso longe de casa. Continuo me surpreendendo com o fato de que minhas microexpressões têm sempre um restinho de tristeza. Eu ainda sou uma surpresa para mim mesma.
Por isso hoje foi um dia em que eu acordei apaixonada pela vida. Sentei na porta de casa e vi as plantações de uva renascendo. As pessoas, sempre tão acostumadas com o frio, hoje saíram sem casaco como se dez graus fossem vinte. Talvez sejam essas coisas que a gente nunca aprecia quando tem tudo. Sair da nossa zona de conforto é perceber que a gente até pode acordar meio-dia, mas o almoço não se faz sozinho. Por isso, hoje sou grata por ter escolhido ir embora. Eu sei que sempre posso voltar para casa. “Mentir para si mesmo é sempre a pior mentira”, já dizia Renato Russo. Não tenha medo de se descobrir. Refloresça.