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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Sonhos de porcelana


É difícil alguém me tirar do sério e mais difícil ainda é me tirar da cama às 4 da manhã. Você assombrou todos os meus sonhos, então pego meu bloquinho pra falar de amor.
Tento não falar muito pra não espalhar pedaços seus por aí. Te transformei num segredo e o escondo até de mim. Nem tento descrever o que sinto, pois cuidei para que fosse indecifrável. Não quero meia dúzia de palavras de significados vazios pra falar do brilho dos meus olhos e o suor na palma das tuas mãos. Só sei que me peguei procurando a Lua e o seu perfume entre um sonho e outro.
Espero que saiba guardar segredo, menino. Pense em meus MPB's e ria das minhas besteiras sozinho no quarto. Conte apenas para si mesmo sobre as vezes que pescou meus olhares bandidos e sobre a minha voz que sempre falha quando você chega perto demais. 
Tô com saudade daquele beijo na bochecha e do seu romantismo. Clichê demais, mas gostaria de permitir que me leve por aí, me mostrando os traumas e prazeres do teu mundo. Só que eu tenho medo de você, confesso. Medo desse teu olhar de criança, que se esconde na firmeza da tua postura. O que eu estou fazendo? Esse riso frouxo e essa espera interminável são sintomas de você?
Seja cauteloso, meu pequeno grande homem. Posso te assustar com a minha intensidade. Não me provoque. Seu blazer de camurça e essa carinha refinada não enganam, não. Me leve pra dançar em seu castelo em troca de uma dama feita de porcelana e completamente dissimulada.
Vai, me desvenda! Só não machuque, por favor. Sou mansa, mas meu grito de dor ecoaria em cada entranha do seu ser. É que eu sou assim mesmo, meio danificada pelo tempo. Vivo tendo espasmos de amores meio amados. Não me venha falar das rosas, ao menos que as tuas já estejam sem espinhos. 
Meu amor, aceita um café? Com ou sem açúcar?

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Propaganda enganosa


Tá aí a coisa toda: Sinto-me sozinha. É uma boa maneira de começar, já que tentei arrancar algo de mim e as únicas coisas que consigo são confusas. O problema é: por qual motivo?
Eu costumava ser tão forte e ter os conselhos na ponta da língua. Mesmo com todas as minhas inseguranças, eu tinha muita certeza do que eu dizia, mesmo quando, tempos depois, percebia que estava errada. Agora não consigo nem mesmo levantar da cama ou me olhar no espelho. Se a vida tivesse uma espécie de “pause”, tenho certeza de que eu deixaria neste modo na maior parte do tempo.
Eu tô cercada de tudo o que alguém gostaria de ter e agradeço muito por isso. “Não tenho tudo o que quero, mas amo tudo o que tenho”, já ouviu essa? Pois é. Só que falta algo. Aquela sensação que sempre bate desde quando eu me entendo por gente: Vontade de algo que eu não sei o quê.
Já sei! Falta a fé. Fé em mim, fé na vida, fé que vai dar certo. É tudo mecânico demais: acordar e vestir o meu melhor sorriso até a próxima oportunidade de me fechar dentro do meu quarto. Eu sei, é babaquice demais. Já decorei livros de autoajuda e os meus próprios conselhos, mas ainda não sei o que é melhor pra mim.
Eu era uma criança até ontem. Sinto falta dessa época em que eu simplesmente acreditava. Acreditava em romances, atitudes, olhares, juras de amor, sorrisos. Tive que cair umas dez mil vezes pra aprender que, na maioria das vezes, sorrisos são maldosos. Hoje falo de um amor que nunca vi acontecer e, quando eu tô sozinha, é nele que eu gosto de pensar. Oi, Hollywood, só passando pra dizer que você faz com que eu me sinta mais solitária ainda.
Acho que o mundo lá fora é grande demais. Tô trancada nesse quarto, decorando a vida dos outros no Facebook, mas cheia de vontades por dentro. Se eu te mostrasse a pilha de sonhos! Tá normal demais, entende? Apenas mais do mesmo: Amar, amar, amar e acabar sozinha numa sexta-feira à noite, pensando no quanto o amor é uma burrice. Sonhar, sonhar, sonhar e não poder realizar. A vida passando bem debaixo do meu nariz, acontecendo mais ou menos e prolongando uma lista de vontades que, originalmente, já era imensa.
Cansei, entendeu? São só palavras e suposições. Tá um gelo danado aqui dentro! Me sinto insuficiente e tal. “She will be loved” tá tocando há anos e nada. As cartas nunca chegam, os telefones não tocam, os olhares não se cruzam.  Todo mundo seguindo sua vida sem olhar para os lados. A vida não para. Sei que preciso levantar, mas deixa pra depois. Cadê o tal do amor do qual tanto se fala? Todos os sonhos são utopias? E a liberdade é só propaganda enganosa de empresa telefônica? 

domingo, 7 de setembro de 2014

Vulnerável


Seu beijo ainda está aqui, fazendo cosquinha na minha boca. Ainda sinto seu cabelo sob meus dedos e a quentura da sua jaqueta. Tenho seu perfume em minha roupa e a lembrança do formato do seu corpo sob sua camisa. Tá tudo aqui ainda, menos você.
Eu não sei o que fazer, cara. Sinto que você está se aproximando demais do que se esconde abaixo dessa selva de pedras: meu coração. A cada segundo me sinto mais desesperada. Sinto sua falta sem querer sentir, porque eu já vivi isso antes e me sinto totalmente esgotada do amor.
É tudo bonito demais, entende? O vento bagunçando meus cabelos e você me protegendo do frio. Nós dois ali, olhando pra Lua, enquanto você dizia: “Meu sonho sempre foi estar aqui com alguém, pequena”. Sua esperteza, sua inteligência, sua visão de Mundo e, por fim, nossa compatibilidade – que seria 100% se houvesse uma espécie de teste. Gostar de você é bonito demais e tá aí o problema! Eu ainda vou estar aqui quando tudo isso acabar. Vou ouvir seus amigos contando que seguiu em frente e talvez até te perca pra quem eu menos espero. Vou ser deixada com nossas lembranças e vou destruir nossas fotos com meu mar de lágrimas. Eu já vi isso milhões de vezes!
“Que infantil!”, repreendo-me mentalmente. Sou mesmo. O problema é que eu permaneço. Que bobeira sentir tanto.
Te quero aqui, menino. Quero te mostrar como eu sou e deixar que você me mostre o mundo. Quero te contar que outro dia imaginei nós dois no frio de Paris, enquanto você me arrastava pela cidade só pra me dizer que arquitetura é uma coisa linda. Quero que você me diga que me admira tanto a ponto de relevar meus erros desengonçados e que não passa uma noite sem mim. Quero, por fim, que me espere. Quero que perceba quando eu estiver pronta e não vá embora, porque eu preciso que você fique.
É que eu estou cansada demais de ser deixada. Não te peço a promessa da eternidade, porque isso já não me convence mais. Nunca entendi o que é o amor, então não sei o que eu quero. Não me olhe assim, querido. Gosto de você com cada caco do meu coração espatifado, mas, até que ele se recomponha, será tarde demais. Desculpe-me a insensatez. 

terça-feira, 2 de setembro de 2014

De repente


Eu nem sei o que dizer, sabe? Todas as palavras parecem ser escritas em vão. Tento te definir em poucas ou muitas palavras e acabo caindo num devaneio. Só sei que agora, longe de você há algumas horas, a saudade tá me torturando com doses extras de lembranças.
Só sei que você me faz bem e me fez olhar diferente pra essa garota que vejo quando me olho no espelho. Quando você me segura sinto vontade de me encolher todinha e te contar a história de cada cicatriz do meu coração. Quando me beija, sinto paz. Vontade de sorrir, de distribuir beijos pelo seu rosto inteiro e deixar você segurar a minha mão.
Penso bem antes de cada passo, se é que dei algum. O problema é que, quando se trata de amor, costumo andar em areia movediça. Olhar você, tão lindo e puro, me traz calafrios e vontade de cantar, mas me escondo atrás dessa pose de garota que não tá nem aí.
Tenho vontade de dizer, mas sei que você consegue decifrar o quanto gosto de ti quando me acho ao seu lado. Sei que todas as palavras não ditas são entregues a mim através dos teus sorrisos. Eu nem me preocupo com etiquetas e tudo bem se você nunca disser que sou tua, porque, cá entre nós, não precisa dizer.
Em você encontrei tudo que estava morto em mim e, é claro, o principal: A esperança. Você me faz acreditar que tudo é possível e que sou capaz de realizar meus sonhos. Me faz pensar que seria bom demais fazer parte da sua vida, deixando que você me mostre quanto tempo perdi sendo amada pela metade.
Só que você também me deixa com medo. É que mesmo que não hajam promessas, não sei se tô pronta pra te dar o poder de partir meu coração.
Tô indo com calma pra não me machucar. Deixando que me beije pra deixar saudade e cheiro na roupa. Ouvindo mpb com você e me permitindo imaginar como seria se isso nunca acabasse. Se houvesse uma espécie de contrato, meu bem, com certeza eu firmaria. Me sinto uma garotinha com medo. Seu amor me dá borboletas no estômago. Eu nem sei o que fazer! Talvez eu seja inconsequente.
Esquece. Finge que não leu e que as borboletas nem existem. Finge que você nem é tão apaixonante assim e que nem tenho vontade de ficar com você 24 horas por dia.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Resposta


- Como você tá?
- Tô bem – eu disse. Obrigada por perguntar. Já faz quase um ano que a gente nem se fala. Meses fingindo que esquecemos, que superamos e, pior, que a gente não se conhece. Quero dizer, estar com você foi uma das experiências mais legais da minha vida. O tipo de relacionamento com o qual eu sonhei desde pequena. É claro que você não estava nos meus planos e, admito, eu imaginava um príncipe encantado no seu lugar. Mas foi você.
Foi você que pegou a minha mão e saiu me puxando por aí, por entre as ruas da cidade. Você me fez acreditar que era certo, mas admito que eu deixei por um motivo: Eu te amava. Tanto faz, aconteceu. Você me abraçou forte num domingo e disse o famoso “para sempre” umas trezentas vezes. A gente se olhou e sorriu ao mesmo tempo, e quando o mundo inteiro queria que a gente se distanciasse, lá estávamos nós, perdidos nos braços um do outro sem noção da hora. Eu deixei o celular tocar, porque o seu sorriso vicia mais que internet.
Hoje eu vejo essas fotos, esses sorrisos enormes e a sua teimosia estampada naquele pedaço de papel. Nossas cartas, algumas enviadas e, outras, só rascunhos. Mas tô legal. Penso muito na gente e tal.  - E você?

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A mulher que você quis


Eu não quero acreditar que sou essa mulher que você colocou na minha cabeça. Não importa o que ela seja, se está certa ou errada, mas não pertenço a ela. É certo que me apaixonei por você e a maneira como as coisas funcionam no seu mundo me parecem repugnantes, mas aprendi a aceitar. Seu mundinho frouxo conseguiu abalar a estrutura do meu império, só porque às vezes eu posso ser um tanto quanto insensata demais.
Eu não quero aceitar que seus erros são certos aos meus olhos, porque hoje, que me vejo livre da droga do seu amor, eles machucam. Você poderia ter feito mais, ter insistido mais, ter trabalhado mais nisso. Porém, pra você, a jura do amor basta. Como quem acredita em destino e fica sentado esperando que Deus resolva o problema milagrosamente, você me colocou na fila de espera. Eu nem sabia por que certas coisas ficavam na minha cabeça, mas havia aquela frase que eu vivia escrevendo pelos cantos sem entender ao certo, que dizia: “Coloque meu nome no topo de sua lista”. Ba dum tss! Deu pra sacar agora que acabou.
A questão é que eu fiz tudo por você. Deixei suas ideias perfurarem as minhas e transformar minhas certezas em dúvidas. Achei maravilhosa a sua ideia de amor sem fronteiras, sem limites, sem pontos fracos, mas agora eu vejo: Só amor não é suficiente, não. Infelizmente a gente não vive num paraíso em que a gente passa o dia todo se amando e dizendo “eu te amo”, então também é preciso ter noção de mundo. Ter noção de que o tempo passa e de que a gente tá aqui pra melhorar a cada dia, trabalhando e servindo. Então não adianta me encher de romance se não vou poder contar contigo no dia-a-dia.
Então, de todo o meu coração, declaro que não estou nem aí para o que todo mundo acha sobre o que eu penso da vida. Os mesmos que postam “open your mind” no Twitter são os ignorantes que não aceitam um não no dia-a-dia, então dessa vez não vou ser a piedosa. Respeitei suas coisas, então agora respeite as minhas. Cansei de aguardar por você e de ficar aqui achando que seu sofrimento é tão grande quanto o meu, porque não é. Você não largou metade do seu ser pra trás, mas eu sim. Você não implorou, não permaneceu, não lutou, mas eu tô aqui como sempre estive. Mesmo depois de tudo, tô aqui com uma pontinha de esperança martelando na cabeça, que, mesmo depois de todos os seus fracassos, ainda acredita que você vai aparecer um dia desses cheio de mudanças.
Use o seu moletom rasgado, vista a sua impaciência e faça o que tiver vontade, pois não me meto mais. Só que quando for falar de amor, tire essa ideia de Hollywood da cabeça. Você detesta romance, mas é bem chegado num drama. Que passasse 30 dias sem me chamar de um apelido carinhoso que viu na internet, mas que levantasse todos os dias disposto a ser amigo quando eu precisasse. O amor é um trabalho em grupo, que só funciona se todo mundo ajudar. Quando um se apoia no outro, a tendência é de que o amor acabe como uma brincadeira de cabo de guerra: um sempre exerce mais força que o outro, e tende a ficar em pé, enquanto o outro acaba deitado.