domingo, 11 de setembro de 2016

Queria te dizer


Queria te dizer umas coisas que andei pensando. Você sabe, eu não sei lidar com o silêncio. Eu não sou dessas que sabem dar espaço. Talvez você precise, sei lá. Sei que é horrível, porque a gente não sabe mais ser o que era antes. A gente sempre sonha alto e fala da saudade, mas no fim desliga o computador e vai dormir sozinho. Sabe, eu quis muito estar ao seu lado quando você passou a achar a vida sem graça. Sei que não é culpa minha, mas ter soltado a sua mão e deixado você pegar aquele maldito avião foi talvez a pior coisa que eu já tenha feito na vida. Sempre que você se fecha eu fecho olhos. Algumas memórias se perderam e outras vêm com intensidade, fazendo com que meu coração bata desesperado dentro do peito. Meu corpo se inunda com essa saudade, que chega até a garganta e vira um choro engasgado.
Sei que vai perder o sentido. Dizem que amor mesmo é dividir a cama e a escova de dente. Hoje eu nem brigaria com você por roubar a minha. Eu juro que morreria de rir. Juro que faria muita coisa diferente se eu soubesse o que é perder você. Às vezes me esqueço daquela menina que eu era contigo. Você era a única pessoa que não julgava as minhas besteiras e topava qualquer coisa que eu quisesse, mesmo que não fizesse sentido. Às vezes você parece estar longe demais, inalcançável demais. As pessoas me perguntam o motivo e às vezes te ligo feliz da vida, mas o seu dia nem foi tão bom assim. Depois disso faço tudo em silêncio e choro pelos cantos. Descobri que o medo de perder fica maior quando a gente coloca alguns quilômetros de distância no meio. Sei que você está aí, estressado e com saudades do mesmo tempo, e queria comprar um bilhete de avião e cruzar o mundo sem bagagem nenhuma só pra te lembrar de seguir em frente.
Eu não sei o que vai ser. Não sei se você ou eu vamos mudar. Pode até ser que a gente se olhe nos olhos e não encontre mais aqueles dois que se apaixonaram em plena sexta-feira, na biblioteca da escola. Talvez você nem queira mais, mas eu prometo te fazer lembrar. Deixe-me tocá-lo, senti-lo, cheirá-lo. Deixe-me falar sobre a aurora boreal na Suécia e as praias de Malta. Deixe-me imaginar você em roupas de esqui ou segurando uma prancha de surf. Deixe-me fantasiar sobre noites de chuva e tardes de piquenique. Deixe-me dizer, com lágrimas nos olhos, que eu senti a sua falta; que cada parte de você é minha casa; que isso tudo é horrível, mas sem você não faz sentido.
Talvez você até desista. Talvez você até encontre alguém mais parecido com você. Talvez você pegue outro avião sozinho e decida ser tudo aquilo que nunca foi, mas talvez você espere a parte difícil passar. Talvez você venha pra ficar e me ensine de novo a não ter vergonha de ser quem eu sou. Ao seu lado eu aceito acordar cedo todo domingo e ser simples mesmo que o meu instinto seja ser complicada. Sem você o dia é nublado mesmo que faça sol. Às vezes nem acredito no amor, mas alguma coisa aqui dentro insiste em se lembrar de coisas que o corpo já se esqueceu.
Agora eu sou só uma foto no seu celular, mas eu já fui a menina dormindo ao seu lado na cama; a menina discutindo com você no supermercado; a menina que mudava a rádio do seu carro. Eu mal posso esperar para ser a menina que anda ao seu lado. É só você me dar uma chance e se lembrar de sorrir. Amor, seu sorriso é mais lindo que qualquer poema que já foi escrito.
Bom dia. Como você está? Dormiu bem? Sei que todo dia é a mesma coisa, mas eu amo você.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Na Estante: O Desafio


Oi, gente! :)
Voltei com mais um livro. Dessa vez quero falar sobre O Desafio, a continuação de A Aposta, ambos escritos pela Rachel Van Dyken. A Aposta contou a história da família Titus, focando no casal Travis e Kacey. O segundo livro vem para falar do irmão Jake Titus, que é mais novo e conhecido como o playboy da família. Ele e Char Lynn estudaram juntos, mas acabaram se distanciando. Anos depois, eles se reencontram e dormem juntos, mas Kacey acorda sozinha.
Quem se lembra da vovó Nadine? É a melhor vó da história literária, gente. Ela aproveita o casamento do neto Travis para tentar unir Jake e Char. Jake é despedido da empresa da família e fica encarregado de cuidar dos preparativos do casamentos junto com a melhor amiga da noiva, ou seja, Char. Claro que a história é super engraçada, porque eles não se suportam, mas também não conseguem resistir um ao outro.
Prepare-se para rir MUITO, embora o livro também seja um pouquinho mamão com açúcar. A própria proposta do livro é fácil, já que é aquele clichê do playboy que se apaixona e blá blá blá, por isso prepare-se para ter uma leitura leve.
Enfim, recomendo muito porque achei mais engraçado que muito filme de comédia e não conseguia parar de ler. Boa leitura! :)


"- Jake? Ah, meu Deus! Achei que você tivesse morrido!
- Deus não é assim tão justo. Pode acreditar. Eu já implorei por isso."

"O sorriso que ela deu fez seu mau humor desaparecer, e, de repente, ele lembrou por que se mantinha distante de garotas como ela.
Elas traziam problemas."

"Só que Jake queria que Char tivesse vontade de passar tempo com ele. Gostava que ela fosse briguenta. Ficava mais feliz quando estavam discutindo do que quando ela ficava quieta."

"Você só está interessado porque ela está se fazendo de difícil. Assim que ela resolver facilitar as coisas, você vai dar no pé."

"Jake nunca fingira ser quem não era... Agora, porém, não sabia ao certo se ainda gostava de ser aquela pessoa."

"Quando os homens se apaixonam, eles se apaixonam mesmo. A queda é terrível, caem de bunda na água e sem salva-vidas. Você é um desses homens, Jake. Quer um conselho? Seja homem. Não se deixe afogar. Não corra nem nade para longe da segurança do barco. O barco é a sua casa, a sua família, a sua vida. Já aquilo que o faz flutuar, sua boia, sempre será sua esposa, sua parceira. Sem algo em que se agarrar, você se afoga. Sem alguém que se agarre a ela, a boia também não tem propósito. Então, já deu para entender que vocês precisam um do outro... Precisam se apoiar um no outro para tudo."

"... que a cama de vocês seja cheia de risadas; as noites, cheias de prazer; a casa, cheia de cheiro de comida gostosa; e os corações, cheios de alegria. É para isso que estamos neste mundo - para amar."

"- O meu neto. Você está apaixonada por ele.
- Eu... - Mas ela não conseguia negar. Então, em vez disso, olhou nos olhos de vovó e pediu: - Por favor, não conte isso a ele.
Afastando-se, vovó bufou.
- Querida, se ele ainda não sabe, é um idiota. Se bem que ele é homem..."

"- Só mais um beijo.
- Nunca é só um beijo com você, Jake.
Ele não pôde impedir o sorriso gigante que se espalhou pelo rosto.
- Que bom. Porque quero que eles nunca acabem."

"Amor não é algo que vem sem esforço: ele machuca. Quando olho para você, parece que meu peito vai explodir. Quando você me toca, sinto em todos os lugares do corpo. Quando você inspira, seguro o ar até você expirar. O amor é um inferno. É uma tortura. Pode deixar a gente maluco, é a coisa mais assustadora que já senti."

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Ao seu lado


Home is where the heart is”, você disse. São quase meia noite, eu deveria estar dormindo, mas tento compreender a imensidão da frase. É que eu coloquei o pé no mundo e isso me faz feliz, você sabe. A gente conversa fingindo que tá tudo certo. Você quer um apartamento para dois e eu, pegar um avião para a índia. Eu, que sempre fui tão fácil para o amor, com você pulei do barco.
Tratei você como um one night stand. Me apaixonei muito antes de perceber, ou poder tentar me defender, mas te beijei no rosto e disse adeus. Te lavei do meu corpo e da cabeça, mas abri os olhos e lá estava você. Você me entregou o GPS para que eu te guiasse, mas sempre errava a direita. “Nós somos uma bagunça”, eu disse. Você, com a sua música alta e o sorriso brilhando, respondeu: “We are perfect!”. Talvez não fosse de propósito, mas, depois de tanto murro em parede, eu queria alguém de sorriso leve.
Nós vivemos essa história. Eu permiti que você entrasse. Eu fazia bagunça e pedia desculpa morrendo de rir. Te ligava no meio da tarde e meia hora depois estávamos no lago ali perto. Você me ouvia em silêncio e depois transformava qualquer problema em nada, como se a vida fosse fácil – e ela provavelmente é, quando você está aqui.
Você me fez sentir, pela primeira vez, como se eu fosse o vilão da história. Coloquei lágrimas em seus olhos e te fiz lutar com toda a sua garra de menino. Cruzei os braços, corri e você me encontrou, me amou e me fez acreditar outra vez. Eu não conhecia o amor antes. Amor é acordar ao seu lado e não conseguir conter as lágrimas ao te ver dormindo. Amor é rezar todos os dias para que o seu dia seja lindo e nada te falte. Amor é desejar que você não chore mais de saudades e voe pelo mundo, mesmo sem mim.
Talvez, depois de tanto beijo na boca e drama, eu tenha percebido que não fui preparada para um sentimento de tamanha dimensão. Sentimento que engasga, que tropeça, que cresce, que gruda na cabeça. Você é a minha droga, meu vício sem cura. Eu esperei por você a vida toda. A pessoa que seria a minha prioridade, meu único sonho e projeto de vida. Você mal sabe o que quer, mas sabe que quer ir comigo. Pela primeira vez na vida me deu medo de amar. Não me entenda mal, mas é que é tão assustador! Essa pessoa que foi gerada com tanto amor e que aterrissa na sua vida com tanta história é agora uma parte de você. Cada cílio que aterrissa em sua bochecha, cada quilômetro que sobe no velocímetro, cada atitude mal pensada. É você ali do lado, no passageiro; você é SÓ a minha vida.
Dizem que eu não te amo tanto quanto você me ama, que eu desisti, deixei pra lá. Talvez você até acredite depois de lembrar que hoje eu nem quis papo. A distância engana, não se esqueça. Com lágrimas nos olhos, te desejo uma boa noite. Guardo com cuidado aquela blusa vermelha que ainda guarda o seu perfume. Você tem sempre uma carta na manga, mas eu sei que vou demorar. O sono mal vem e o sol nasce de novo. Mais um dia, mais cem quilômetros andados, milhares de direções.
Embora o que eu queira mesmo, seja ir ao seu lado.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Na Estante: Como eu era antes de você


Oi, gente! Voltei depois de anos sem postar - principalmente resenhas. Li esse livro há um tempão, mas nunca tenho tempo suficiente para atualizar minha vida virtual (HAHAHA). Sério, atualizar o Youtube e o blog são duas missões impossíveis. Sei que poderia estar utilizando meu intercâmbio pra muito post e vídeo legal, mas tá bom, estou vivendo bastante.
Anyway, lembrei que tinha esquecido desse livro quando vi o pôster do filme no cinema. Quase morri!!! Pra variar eu odiei o começo do livro (como sempre), mas decidi prosseguir (como sempre) e acabei me apaixonando (como sempre). É uma história realmente bonita e que veio pra quebrar paradigmas. Só a Jojo Moyes pra colocar um tema tão delicado e importante na literatura juvenil.
 A Lou é uma pessoa muito simples, que está contente com a vida que tem. De repente desempregada, ela resolve aceitar uma oferta improvável: Cuidar de um tetraplégico. 
Will, de família rica e popular, um dia foi uma pessoa extremamente ativa: gostava de esportes, de viagens e tinha sempre as mulheres mais bonitas ao seu lado. Após o acidente de motocicleta se tornou uma pessoa amarga e de difícil convivência. Como entender? Como tentar fazê-lo sorrir?
Esse livro realmente vale a pena ser lido. Faz a gente entender a pessoa que está nessa situação: a saudade da vida antiga, a sensação de incapacidade, as dificuldades pra sair de casa, o olhar de pena das pessoas... É bem forte, mas também bonito o esforço dela para fazê-lo sorrir, o quanto ela se adapta e aprende. Meu Deus, preciso ver esse filme!!!
O final foi um pouco forte, pra ser sincera. Não vou dar spoiler, mas me deixou um pouco confusa, sem saber o que pensar - e até hoje não sei definir se foi certo ou errado. Enfim, leiam pra saber do que eu estou falando (HAHAHA). Espero que gostem!


"Não imaginei que, além dos medos óbvios sobre dinheiro e futuro, perder o emprego fizesse a pessoa se sentir inadequada e um pouco inútil."

"Ele possuía a habilidade de distorcer quase todas as minhas palavras ou ações, me fazendo parecer uma idiota."

"Nunca fui muito boa em esconder meus sentimentos."

"Ser atirada para dentro de uma vida totalmente diferente - ou, pelo menos, jogada com tanta força na vida de outra pessoa a ponto de parecer bater com a cara na janela dela - obriga a repensar sua ideia a respeito de quem você é. Ou sobre como os outros o veem."

"Há coisas que você não percebe até acompanhar uma pessoa numa cadeira de rodas. Uma delas é como a maioria dos calçamentos é malconservada, com buracos mal remendados ou desnivelada. Andando devagar ao lado de Will enquanto ele mesmo dirigia a cadeira, notei que cada laje em desnível causava nele uma dolorosa chacoalhada, ou como ele frequentemente precisava se desviar com cuidado de algum obstáculo em potencial."

"Dizem que só é possível se admirar um jardim depois de certa idade, e acho que existe alguma verdade nisso. Provavelmente tem algo a ver com o grande ciclo da vida. Parece que há algo de miraculoso em ver o inexorável otimismo de um novo broto após a desolação do inverno, uma espécie de alegria na diversidade a cada ano, a forma como a natureza escolhe mostrar diferentes partes do jardim."

"A mãe enxerga todas as pessoas que o filho já foi ao longo da vida reunidas em uma só."

"Na nossa rua, se você entra num carro de luxo significa que conquistou um jogador de futebol ou está sendo preso por policiais à paisana." 

"-Você é uma grande esnobe, Clark.
- Eeeeu?
- Você recusa várias coisas porque acha que "não é esse tipo de pessoa."
- Mas não sou mesmo.
- Como sabe? Você não fez nada, não foi a lugar algum. Como sabe que tipo de pessoa você é?"

"- Meu Deus, você é um saco.
- Você diz isso o tempo todo."

"- Quero... ser apenas um homem que foi a um concerto com uma garota de vestido vermelho. Só por mais alguns minutos."

"Ela estava rígida de preocupação. Senti uma repentina onda de afeto por ela. Não devia ser fácil ser minha mãe."

"Só algumas semanas longe de casa podiam acabar com a familiaridade de alguém."

"É isso que dá morar em cidade pequena. Todo mundo sabe da sua vida."

"- Mesmo quando eu era adolescente, meu pai jamais me deixaria sair com um homem mais velho.
- Nem se ele tivesse seu próprio castelo?
- Bom, isso poderia mudar as coisas, obviamente."

"Eram todos altos e discretos, em ternos de cores neutras. Mexi no cabelo, pensando se havia exagerado no batom. Tinha a impressão de estar parecendo um daqueles potes vermelhos de ketchup."

"Vi-a flutuar pela nave da igreja e imaginei como seria ser alta, ter pernas compridas e parecer com alguém que a maior parte de nós só vê em comerciais. Imaginei se o cabelo e a maquilagem dela tinham sido feitos por uma equipe de profissionais. E se ela estaria usando uma calcinha modeladora. Claro que não. Devia usar coisinhas rendadas em tons suaves - lingeries femininas para quem não precisa levantar nenhuma parte do corpo e que custam mais que o meu salário semanal."

"Não consigo nem descrever como me senti melhor após ver a maneira como aquelas pessoas elegantes dançavam. Os homens pareciam ter levado um choque elétrico, as mulheres apontavam o indicador para o alto e pareciam muito arrogantes até quando rodopiavam."

"Pensei, por um instante, que nunca mais me sentiria tão intensamente conectada ao mundo, a outro ser humano, como naquele momento."

"Eu não queria voltar. Pensei que poderia nunca mais voltar. Ali, Will e eu estávamos seguros, trancados no nosso pequeno paraíso. Toda vez que eu pensava em voltar para a Inglaterra, a grande garra do medo prendia meu estômago e começava a apertá-lo bem forte."

"Só sei dizer que você me transformou... numa pessoa que eu nem imaginava. Você me faz feliz, mesmo quando é horroroso."

"É sempre estranho ser arrancada de sua zona de conforto."

"Não estou lhe dizendo para saltar de prédios altos, nadar com baleias ou algo assim (embora, no fundo, gostaria que você fizesse essas coisas), mas para viver corajosamente. Ir em frente. Não se acomodar."

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Em algum lugar


Estou cansada de ficar longe de você. O tempo todo penso que talvez eu possa estar fazendo algo errado. Tomo todo o cuidado do mundo para não te sufocar, só para depois não pensar que ter te perdido foi culpa minha. Quando tomo distância, pela milésima vez, você diz que ficou no escuro.
É que eu não gosto do permanente, nem de me acostumar com nada. As coisas que amei foram levadas pelo tempo, mas você sempre fica. Mudam as estações, eu até corro com as flores da primavera, mas o verão chega e você sorri trazendo o sol com a sua juba loira. Eu decidi, mesmo sem saber, que quero ficar.
De todas as coisas que quero na vida e esses desejos rápidos de sair por aí sem volta, ainda é para você que quero voltar. Você é meu sonho de menina, aquela vontade boba de casar de branco. Claro que eu jamais admitiria e continuo voando mil milhas só pra ver se o amor passa tão rápido quanto um resfriado. A cada vez que ponho os pés em terra firme penso em como esse mundo é grande – e as pessoas são tão leves quantos penas quando o vento da vida passa. Mesmo que nossas preces muitas vezes sejam como sopros no infinito do universo, ainda desejo que você possa ser aquela parte que dá certo na vida da gente, aquela história que a gente conta para os nossos filhos e morre de rir, mesmo sabendo que a vida foi generosa.
Talvez, somente talvez, o amor pudesse escolher ser mágico e grande. Uma história que não acabe em depressão ou divórcio, mas que simplesmente não acabe. Espero aqui, sempre paciente. Dizem que a gente não sabe nada da vida,  mas eu só quero saber o seu telefone. Às duas da tarde, em algum lugar. Talvez até demore, mas eu vou ligar.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Orgulho


Eu não consigo entender como as pessoas se perdem por causa do orgulho. Deixar de falar uma coisa ou outra talvez seja mais ou menos bobagem. Não é sempre que a gente se lembra do quanto ama a pessoa que está ao nosso lado. Infelizmente a raiva atira certinho no alvo e nos cega em questão de segundos. O que dizer então de pessoas que se perdem por uma vida inteira?
Conheço casais que foram casais por muito tempo. Para mim sempre pareceu meio louco ver um casal terminando depois de anos juntos. É que é uma coisa tão fixa e certa, que a gente acaba enxergando os dois como um só. O término de um casal de longa-duração incomoda tanto quanto trocar de carteira. Sabe quando você compra uma carteira nova e até o fecho dela te incomoda por não ser igual à antiga? A gente tem dessas coisas. Acho que alguns casais são como prisões invisíveis. É difícil sair do relacionamento, porque existe sempre um grande motivo e esse medo de sair da sua zona de conforto, mas quando finalmente chega ao fim é como abrir a janela depois de anos num quarto escuro. Algumas pesso as realmente se libertam e experimentam outros relacionamentos, viagens e até outro estilo. Admiro isso. Muitas vezes a gente acha que está melhor assim e até se acostuma com o que está errado.
Alguns casais foram feitos para acabar. Existem erros irreparáveis e caminhos sem volta. O importante é sair do ringue de cabeça erguida e aprender alguma coisa com isso. Ponto final. Não se mate tentando entender onde foi que errou e blá blá blá. Às vezes a gente presta atenção aos sinais errados e vê só aqueles que a gente quer ver.
Só que muitas vezes a gente erra também. Também acredito que existam pessoas que foram feitas para ficar juntas. Muitas vezes a gente confunde esse amor com outro qualquer. A gente termina e vai embora. Talvez por medo e, na maioria das vezes, por orgulho.
Porque, apesar de tudo, conheço casais que acabaram, mas que nunca deixaram de existir. O fim dos dois limita, ao invés de libertar. Eles começam a ir a falhar. Mesmo que o sucesso venha, falta algo. Mesmo que eles se casem e tenham filhos, falta felicidade. É um buraco vazio, um sorriso meio torto. As pessoas preferem descartar ao invés de consertar. Quando foi que aplicaram a lei do capitalismo no amor?
Infelizmente o tempo passa muito rápido. Uma palavra não dita se transforma em uma vida inteira de noites mal dormidas. Você pensa que podia ter impedido ela de ir embora com um beijo, com um esforço, com um pouquinho de tempo. Talvez pudesse ter mudado um pouco o seu caráter, mas sempre achou que fosse só mais uma briga.
Quando um amor acaba por orgulho, perde-se uma vida inteira esperando. Nenhum dos dois pega o telefone e liga. Difícil pensar em tudo que os dois poderiam ter vivido, se não fosse essa maldita mania moderna de morrer com um “eu te amo” entalado na garganta.