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quarta-feira, 23 de abril de 2014

De verdade


É muito difícil acreditar agora. Quando chego a um determinado ponto em minha vida, em que meu coração fora pisado e surrado tantas vezes, que temo amar com seus últimos pedaços sãos.
O ser humano nasce puro: doce e especial, confiado a uma vida única, na qual realizará seus sonhos, conhecerá pessoas maravilhosas e sentirá coisas absurdamente boas. Por isso não hesitamos em tirar os pés do chão ou segurar as mãos de um estranho: porque se estima que teu coração seja tão puro quanto, que tenha a mesma mania de achar que “dessa vez vai ser diferente”.
Eu, particularmente, fui criada por mim mesma em meu próprio universo. De uma delicadeza incomparável, capaz de me entregar a um amor com a mesma intensidade de um murro. Alimentei minhas borboletas, fui fiel aos meus contos de fadas. Não culpo ninguém além de mim.
Porque as pessoas não sabem sobre os antigos romances e hábitos, sobre a fragilidade e a confiança. Canta-se em vão, emociona-se com a idealização de um amor perfeito, mas não se pratica.
De onde vim com minha mania? Esse exagero que mata e corrói, engolindo parte das desculpas esfarrapadas e mentiras de segunda mão. Talvez fossem anos em vão, livrando-me da beleza de saber mentir. “Ela possui a verdade nos olhos”, eles dizem. Me pergunto que vantagem teria isso.

Tudo bem. Permaneço então com minhas incertezas e dúvidas, certa de que nunca serão certezas e glórias, entregando – sem permissão – minhas verdades, para que sejam usadas contra mim. Com muito, muito medo, deste coração, que não se controla e exibe esse brilho nos olhos, para estranhos (que podem ou não, ser) malfeitores. 

domingo, 13 de abril de 2014

Faca



Queria que fosse mais simples, que Hollywood plantasse a ideia certa na cabeça da gente, mas são apenas ideias vindas de corações teimosos como o meu. Você não simplesmente se apaixona. Você se apaixona, você luta, você cai, você desiste, e renasce. Ou não. Ou fica sempre na beira do abismo.
Tanto faz.
Eu quis passar essa confusão toda pro papel, na esperança de que essa pequena parte da minha preocupação se liberte e me deixe dormir essa noite. Talvez você leia, talvez não. Ainda assim é difícil desabafar em uma folha em branco. As palavras parecem não querer sair, como se tivessem medo de serem expostas.
São segredos. Daquele que a gente fala sussurrando, dizendo: “xiiiiii!!!”. Aqueles segredos que a gente contava, e se emocionava, e você me fazia cosquinha até que eu chorasse de rir. A gente se escondia nesse mundo nosso, como duas crianças atrás do sofá, com medo do mundo, com medo de tudo.
E se você me perguntasse, meu anjo, porque eu não consigo mais andar, talvez eu ficasse calada. É difícil se libertar de alguém que só te faz bem, lá no fundo. Você é, com certeza, algo que eu gostaria de guardar dentro de mim. Eu preciso dos teus sorrisos, e daquele tempo em que a minha paz era te olhar sem dizer nada. Aquele tempo em que nós éramos nada além de luz. Nós éramos o suficiente.
Eu sou inconstante (é bom que você saiba), e talvez eu tenha percebido uma série de falhas. Eu percebi que só amor não é suficiente, inclusive. Promessas pra mim soam como piadas e não é bom quando começo a me sentir inquieta. Quando começo a me perguntar o que há de errado, e sentir que deveria ser diferente, e tentar imaginar as coisas de outra maneira... Isso indica que o coração já não está tão contente, e eu juro que não gostaria de me sentir assim. Seus defeitos se acentuam mais, e mais, e mais. Minhas paixões de três segundos já não se apagam mais quando te olho. Algumas vezes demoro a encontrar o caminho de volta.
Por isso prometo que você não é o problema e peço: não chore mais. Nós somos um enigma sem solução. Sinto dizer, mas diferença é algo que se cura com respeito. Ou não cura.
Existem tantas coisas que eu gostaria de lhe dizer. Queria falar sobre como a confiança não volta e sobre como tudo se tornou tão frágil de repente. Nós estamos encenando um teatro? Não sei, mas sinto que este cenário está prestes a cair.
Com tanto a se dizer, sinto que uma pequeniníssima porcentagem é de fato o suficiente. Algumas coisas não devem ser ditas, ou talvez não importem tanto. Tentei consertar esse amor com todas as minhas ferramentas, mas constatei que é defeito de fábrica.
Talvez eu demore a me despedir, mas sei que não olho pra trás se eu for. Vai doer a cada passo. Você vai doer em mim como uma faca enferrujada. As lembranças vão me corroer e, com o tempo, a dor vai anestesiar. A partir daí, começo novamente o processo: mais uma dor no olhar. Uma dor que o tempo ameniza, que murcha dentro de mim e trás o inverno. Vou ser puro gelo em algum tempo.
Você era meu chão. Uma barreira sensível que me separava do abismo.
Grito para que me salve enquanto caio. A felicidade: cadê? Me indica. Aquela que existia quando não havia nem um centímetro entre nossos corpos, que me fazia andar confiante, envolvida por uma felicidade sem fim que me fazia ter certeza de que nada me machucaria enquanto esse amor existisse. Nada de chantagens agora. Nossos beijos já não tiram meus pés do chão.
Eu me justificaria se soubesse onde me perdi. São só frases e letras, mas eu queria que você soubesse: eu não me esqueci. Não esquece também, não. Se precisar é só chamar.
São cinco passos até a porta. Segundos para que você me peça pra parar. Decida-se.
Cinco segundos.
Martelando.
Cinco... Quatro... Três...
Faça isso parar.
Um.
E então sou como faca.

domingo, 6 de abril de 2014

Permanente


Me disseram que eu teria que esquecer um monte de coisas sobre você.
Caramba, como eu faria isso? Como esquecer a paz que aquele violão me trás e o seu abraço, que sempre me salva de todos os dragões da vida real?
Acredito que todos os amores são assim no final das contas: irritantes. Suas chantagens me deixavam maluca, mas tão maluca que de amor passou a teimosia. Teimosia por amar você. Então eu teria que esquecer. Largar aqui, neste presente, o que no futuro talvez fosse uma lembrança banal. Deixar você e partir com mil feridas abertas só me traria uma eterna dor agonizante. Eu precisava curá-las.
Eu precisava me curar, principalmente. Me salvar dessa loucura que me leva sempre pra perto de você. Eu saí do meu próprio mundo e engoli seus olhares vidrados em nome desse amor que existia sem permissão alguma. Ah, Deus, você sabe como lutei bravamente.
Então não me fale sobre minhas loucuras e minha bipolaridade. Não apareça outra vez pra dizer que eu deixei morrer, porque o único hobbie que tive em algum tempo de loucura, foi escrever sobre seus traços assustadoramente lindos em meu coração. Eu guardei muito bem o gosto daquele ponto estratégico em sua nuca e a maneira como sua barba parecia mil vezes mais linda de perto.
Eu gostaria de guardar você. E vou. Mesmo que um dia sem amor, mas com dor. Dor de lembrar que a vida leva tudo num piscar de olhos.
Mas tenho que esquecer você. Esquecer que te amo, que você me fez feliz, que eu sinto ciúmes e desejo. Como proceder? Se todas as setas desse nosso caminho apontam à direção contrária, como teimar com o destino?
Eu não sei. Não sei por onde começar. Pensar em perder você reproduz uma dor alucinante.

Demora, mas você sai lentamente pela porta da frente. Lentamente se transformando em uma das minhas feridas cicatrizadas, que me fará sonhar com paraísos perfeitos e acordar numa cama fria e vazia. Feridas que não se fecham. Como uma tatuagem, você marcou meu coração. 

terça-feira, 25 de março de 2014

Explica


Hoje acordei pensando em você. Pensei no que te dizer quando te visse, se hoje você procurasse por mim. Às vezes acordo assim, como se tivesse passado a noite inteira naquela nossa época, onde nossos beijos não precisavam ser roubados e nós podíamos rir a tarde inteira na garagem do seu condomínio. 
Em algum momento dessa bagunça, a gente se perdeu. Naquele pique-esconde, ninguém apareceu. O tempo se encarrega de levar o que não vinga.
Uma vez você me disse: "É tudo passageiro, menos você e eu". Em meio a tantos motivos, prefiro arriscar que nascemos um para o outro, mas nossos erros nos levaram. Eu bem te conheço: Monto discursos e coisas pra jogar na sua cara, mas nossos olhos conversam sem permissão. 
Desculpe-me por largar você bem no meio do caminho e estar longe quando desejou que eu aparecesse. Você é um idiota, mas são apenas máscaras, meu bem. Finge que a saudade não fere, que essa vida pacata e simples é o suficiente, mas se esquece de que decorei seus sonhos e lhe beijei a testa quando precisou de calma. 
Calma, anjo. Nenhum contratempo afoga o amor que nunca jurei, mas que está prometido. Nem se eu quisesse, eu lhe substituiria. 
Amor sem por que, nem pra quê, que me faz pensar em você dia após dia, e, mesmo que você se afaste, eu corro pra te pegar a tempo.
Você entende e me ama, deseja e se emociona. Somos outra vez duas crianças jogando bola na escola. Eu sei que no fim disso tudo, ou em algum momento, você vem e me salva de uma vida sem você. Demore se quiser. Tudo bem, vale a pena. 
Sinceramente, coloca aquela música, senta do meu lado e me olha. Vou curar o desespero dos seus olhos. Calma pra esperar a felicidade, que já vem. A minha é justamente essa: ouvir sua gargalhada e me prender em seu moletom, enquanto finalmente sinto que não é em vão e que nosso sentimento não abandona. 

quarta-feira, 19 de março de 2014

Minha paz


No meio de tudo: você. Enquanto as buzinas dos carros explodem e as pessoas reclamam em seus celulares, te olho. Maravilhoso num jeans desbotado, perfeitamente hábil nessa brincadeira de ser lindo. Olhos apertados contra o sol e braços que me fazem querer ser abraçada: Nem mesmo tempo afastar tais fantasias. 
Não existe contexto ou sentido, pois você é uma ordem, meu sorriso. Não digo muito para que você não se canse. Não preciso de muito, eu prometo. Você me faz feliz, não adianta. É loucura amar sua cintura e a maneira que sua mãos envolvem a minha. Venha, dance outra vez como se ninguém visse, e cante com seu sorriso adolescente. Pra que eu sinta ciúmes, pra que eu te queira mais e peça por mais - mesmo que não seja possível. 
Deixe-me te conhecer e ler sua alma como se fosse um livro. Nossos segredos nos aproximaram, então conte-me sobre seus medos e desejos. Não me tire essa força absurda que me tira da cama pra falar de você. Tá anotando, Deus? Eu te quero todos os dias, para amar sua risada abafada pelo cobertor, enxugar suas lágrimas com beijos ou, talvez, pra te olhar em silêncio na varanda. 
Todos os sentimentos do mundo não explicam essa vontade de você e a alegria de poder ser habitante do seu mundo, dos seus textos, sonhos e planos antes de dormir.
Se não for pedir muito, fica mais um pouco essa noite, amor. Quero beijos com gosto de eternidade e olhares que traduzem. Me siga, mas me proteja do escuro. Brigue comigo para que eu me desprenda dessa mania de querer estar sempre certa. Mude a minha vida, dia após dia, com seu jeito Carpe Diem de ser. Me jogue para o alto, para as estrelas! Você é meu amuleto da sorte e eu, sua paz.
Falo demais para nunca dizer nada. Palavras que não descrevem o meu amor insano. Por favor, mais uma nota. Deixa a chuva cair lá fora. Entre quatro paredes, um sussurro para o meu mundo: Eu amo você.