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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Bom dia


O problema de quando olho para trás é que vejo só você e apago os problemas. Até mesmo quando tento me lembrar dos nossos erros, sinto saudade. Saudade das brigas que acabavam em beijos e em abraços sufocantes cheios de “por-favor-me-desculpe-eu-amo-você”.
E tanto tempo depois ainda te procuro com os olhos na rua e escrevo teu número de trás para frente desejando ligar. Ainda falo de você e conto nossos casos, repetindo suas manias. Ainda amo você.
Achei que sem a gente eu seria melhor, que na semana seguinte eu já me lembraria de você como alguém distante, mas então vieram as lágrimas. Meu amor, eu nunca implorei com os olhinhos colados nas estrelas para que alguém voltasse. Costumava apagar as fotos, as músicas, os velhos hábitos. Eu que sempre fui tão forte me vi desarmada.
Quer saber o que mais dói? Dormir sem seu abraço e acordar sem seu “bom dia”. Não encontrar em ninguém um beijo que me tire o fôlego como o seu e nem uma paciência tão grande a ponto de compreender minha inconstância. Sinto falta da sua proteção e do seu ciúme maluco. Não poder te fazer rir e correr das suas cócegas. Sinto falta das lágrimas de felicidade, de brincar com teus cachos e da maneira que eu conhecia você inteirinho, quase como se fossemos a mesma pessoa.
Era uma vez aquele casal que tinha amor na mesma proporção que brigas. Nada no mundo vai trazer de volta a paz daqueles fins de tarde no seu peito, as notas mais doces do seu violão e a maravilha de ter o coração sempre acelerado de loucura. Que saudade da nossa insensatez.
Vou beber saudade até que eu entre em coma alcoólico. Vou me lembrar, dia após dia, que eu não cuidei bem de você, que eu te deixei ir. A minha pena vai ser descobrir que o motivo do seu sorriso não sou mais eu. Vou tentar ser aquela menina que eu era antes de você, descobrindo, inegavelmente, que ela não existe mais, porque nossa loucura modificou até o meu código genético.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Essência


Tenho certa tendência a me apaixonar por momentos. Você. A gente se olhou e eu pensei: “Sem noção, esses sapatos já saíram de moda”. É, isso mesmo. Fora o anel no dedão e o colar sem graça.
Aí você abriu a boca e meu coração gritou: “Já era!”. E foi. Seus olhos tinham aquele brilho, aquele resquício de esperança que sobra depois que a gente apanha da vida. Jeito de menino e um assunto que não acabava mais. Você sabia quem eu era sem precisar perguntar.
E me fazia rir. Ai, meu Deus, como foi bom você ter me feito gargalhar. É que a vida é tão estressante, sabe? Lidar com gente que fica dando murro em parede não é fácil, não.
Você me recompôs, deixou as coisas mais suportáveis. Olhava pras estrelas e falava sobre ser só um grãozinho de areia no universo. Me fez ver o quanto as pessoas eram rasas em suas roupas novas e cabelos bem penteados. Quis que você me mostrasse seu jeito de viver.
Quero parar de correr da chuva. Quero alguém que se importe com a leveza dos dentes-de-leão. Que não se importe com o certo, com as regras, com a moda, com o atraso. Que essa pessoa, assim como você, goste da felicidade do outro. De fazer rir, de ajudar, de curar.
Obrigada por deixar esse gostinho de vida aqui. Você foi a porta que abri para fugir da realidade. Porque, ah, você sabe, as pessoas precisam de algo em que acreditar. Obrigada por aumentar deliciosamente os meus batimentos cardíacos, por me oferecer sonhos angelicais em que você pisa nas estrelas e sorri daquele seu jeito triste.
Se eu fechar os olhos e desejar com todo o meu coração, será que você aparece? Tô precisando de mais uma dose de amor. Não importa o quanto eu procure: só em você encontrei minha paz.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Na Estante: Quem é você, Alasca?


Oi! Voltei com as resenhas escritas. Achei melhor assim já que me sinto mais confortável escrevendo. Eu acabava fazendo muita hora pra gravar a resenha e os livros ficavam todos entulhados no meu quarto - é sério, tem bastante livro desde a última resenha. Fora que vídeo me dá preguiça e eu pensei que talvez vocês sentissem o mesmo. Vou tentar ser mais despojada quando for escrever sobre os livros e talvez eu até fuja um pouco do conceito de resenha. Ok, chega de blá blá blá.
Bom, o fato universal é que Quem é Você, Alasca? já começa muito bem. É um garoto desengonçado e sem graça (finge que não é nada parecido com Cidades de Papel) chamado Miles que resolve se mudar para um internato em busca de experiências novas. Logo no começo ele conhece seu colega de quarto, o Coronel, que é o oposto dele e bastante rabugento, mas é legal. Essa fase do livro dura pouquinho, já que depois ele conhece a Alasca e fica mais legal ainda.
A Alasca é completamente apaixonante. Eu pelo menos adoro personagens diferentes. Não que todas as suas atitudes sejam exemplares, mas ele a descreve como uma garota baixinha e linda, escandalosa, animada, que tem livros por todos os cantos do seu quarto e sempre diz coisas intrigantes. Ela é desastrada, misteriosa e bipolar. Como ela mesma diz no livro, a graça é justamente não conseguir entendê-la. Claro que o Miles se apaixona por ela, embora a Alasca tenha namorado.
Então no internato eles têm um grupinho formado pelo Miles, o Coronel, a Alasca, o Takumi e a Lara. A Lara acaba se tornando namorada do Miles, embora ele continue gostando da Alasca.
A primeira divisão do livro (Antes) descreve os dias do Miles no internato. É simplesmente impossível parar de ler! Até que, quando o livro chega na melhor parte, entra a segunda divisão (Depois). Sinto informar, mas o spoiler é o seguinte: A Alasca morre num acidente de carro. Eu consegui ler as primeiras páginas chorando, chorando, chorando. Depois eu simplesmente enrolei pra ler o resto, porque eu não conseguia aceitar a ideia de ler aquele livro sem a Alasca. Fora que o John Green escreve muito bem, mas tem um sério problema com finais, já que eles são muito mornos. 
Então esse livro é maravilhosamente bom, mas me deixou um vazio. O Miles percebe que não adianta tentar buscar um sentido pra morte dela e fica assim, como acontece na vida, nada de heroico acontece. Sim, é de partir o coração.
No fim das contas, eu A-M-E-I esse livro. Eu morri de rir, me apaixonei pelos personagens, chorei e levei o livro pra todos os cantos - sem contar que a edição de colecionador é maravilhosa. Claro que agora eu desenho a florzinha por todos os cantos e tô apaixonada pelo nome Alasca. Enfim, é um livro muito real, que te puxa pra dentro dele. Por isso gosto tanto dos livros do John Green: eles são humanos e simples. Isso os deixa tão viciantes. 
Espero que vocês se apaixonem, assim como eu. Que venha o filme, né? E que a Kaya Scodelario seja escolhida para ser a Alasca 


"Chega uma hora em que é preciso arrancar o Band-Aid. Dói, mas pelo menos acaba de uma vez e ficamos aliviados." 

"Nada acontecia como eu imaginava."

"Diante de mim estava a garota mais linda da história da humanidade."

"Eu estava sem ação, em parte devido à potência vocal daquela garota pequenina (mas, meu Deus, tão cheia de curvas) e em parte devido à enorme quantidade de livros perfilados nas paredes."

"Mesmo no escuro, eu podia ver seus olhos - ferozes esmeraldas. Ela tinha olhos do tipo que nos levam a apoiar todas as suas decisões."

"Ela se virou para mim enquanto atravessávamos a escuridão e disse: "Quando você está caminhando assim, de noite, às vezes não bate um medo e uma vontade de voltar correndo para casa por mais bobo e embaraçoso que isso seja?""

"Você precisa parar de roubar os problemas dos outros e arranjar seus próprios problemas."

"Ela sorriu com todo o encantamento de uma criança na noite de Natal e disse: "Vocês fumam para saborear. Eu fumo para morrer.""

"Eu detestava jogos esportivos. Detestava jogos esportivos e todos os que praticavam jogos esportivos, detestava as pessoas que assistiam e detestava as pessoas que não detestavam quem assistia ou praticava jogos esportivos."

"Quem dera meus pais tivessem me deixado escolher meu nome." 

""Sair de casa não é tão simples assim", disse, séria, os olhos postos nos meus como se eu conhecesse a saída e não quisesse lhe dizer."

"Imaginar o futuro é uma espécie de nostalgia."

""Às vezes, não entendo você", eu disse.
Ela nem mesmo olhou para mim. Apenas sorriu para a tevê e disse: "Você nunca me entende. Essa é a graça.""

"Não sabia se podia confiar nela e já estava cansado de sua imprevisibilidade - fria num dia, meiga no outro; irresistivelmente sedutora num momento e insuportavelmente chata no outro."

"Só queria dormir com ela, no sentido mais inocente da palavra. Mas eu não tinha coragem. Ela tinha namorado. Eu era um palerma. Ela era apaixonante. Eu era irremediavelmente sem graça. Ela era infinitamente fascinante. Então voltei para o meu quarto e desabei no beliche de baixo, pensando que, se as pessoas fossem chuva, eu era a garoa e ela, um furacão." 

"Por mais que quisesse entender suas ambiguidades, aquela vagueza estava me deixando irritado."

"Meu coração pulsava como uma batida de música eletrônica." 

"Eu queria gostar de beber mais do que de fato gostava."

"Conheço tantas últimas palavras. Mas jamais saberei quais foram as dela."

"O que estava sentindo não era bem tristeza, era dor. Aquilo doía, e não é um eufemismo. Doía como uma surra."

"Indaguei-me se chegaria o dia em que não pensaria em Alasca."

"Se pararmos de desejar que as coisas perdurem, não iremos sofrer quando elas desmoronarem." 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014


Tem dia que até respirar é doído. A vida tem sido assim, amarga como só ela. Meus sorrisos viraram chuva – mesmo que a moça do tempo diga que é de verão.
Os olhos, frios como neve, exalam segredo. A gargalhada é alta, mas ela sempre me abandona durante a noite, quando sou preenchida por sonhos felizes, pequenas doses de ilusão, que às vezes dão lugar a um choro sem razão.
Imersa em lágrimas, os cabelos pulando a cada soluço, um trêmulo socorro sussurrado em meio ao barulho do mundo. Este sentimento é viciante: a dor. Meu grito nulo viaja pelo vazio. A confirmação cheia de pesar de que ninguém virá.
Para completar, meus sentimentos tornam-se notas. Apenas melodias que escorrem pelos meus dedos. Não consigo vomitá-los no papel, nem ao menos habitá-los.
Me fechei. Por isso, por aquilo. Por mim, por você (quem sabe?).
E termina assim. Só mais uma noite sem esperança. A chuva que não apaga o peito em chamas. Sou infinita e invisível. Poeticamente sozinha. 

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Seus olhares


Me escondi dentro do guarda-roupa. Fechei a porta e me enfiei lá debaixo dos casacos, onde eu não seria encontrada. Acho que tudo bem chorar por aqui.
Só pra constar, tenho sido muito boa nisso de guardar o que eu sinto. Sou dessas que só aprende na marra. Depois do milésimo erro, aqui estou eu: pensando em você e fazendo disso o meu próximo monólogo. Eu jurei para mim mesma que não seria por você.
Mas foi. Mesmo vestindo minha melhor roupa e meu melhor sorriso, ou tentando me enganar pensando que sou assim tão desapegada. Tenho tentativas meio tortas de fingir que sua presença não me incomoda, mas ela queima em cada pedaço de mim. Posso sentir seus olhares cheios de piedade e vontade. Quem sabe você não enxergue meu coração urrando a cada batida?
Chega de toda essa distância, meu amor. Vamos cabular todas as formalidades. Quem é você quando não está se passando por bom moço? Aposto que não é um cafajeste.
Eu gosto de você. Mesmo que seja só um alguém. Mesmo que me faça chorar dentro de um maldito guarda-roupa. Não me deixe assim tão solta, pois não costumo ter hora pra voltar.